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25 de set. de 2014

One shot: "Little Warrior"


Emma

Minha vida. O que dizer dela? Tudo que ouvi foram comandos, frases com quase nenhum sentimento, simples ordens. "Seja uma boa menina Emma, orgulhe sua mãe", ou "Você precisa comer isso Emma", ou ainda "Você precisa suportar a dor, Emma. Ela nos faz fortes."

Como eu disse, apenas ordens, como se eu fosse uma robô que precisasse seguir uma programação. Até mesmo vivo numa espécie de centro de comando, ou campo de concentração, quartel general... algo desse gênero. Somos treinadas para matar, mais fortes do que a maioria e evoluímos mais rápido. A principal prova disso é que, tecnicamente, tenho apenas três dias de vida e aparência de uma garota de dezesseis anos.

Não, você não está louco. E nem eu, desculpe desapontá-lo. Não sou exatamente humana, e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Em resumo, sou uma guerreira Amazona, descendente das antigas tribos gregas. E parte do fardo de ser quem eu sou, ou melhor, de ser o que eu sou, é o ritual de iniciação pelo qual todas temos de passar: matar o próprio pai.

Meu pai. O vi apenas uma vez, há cerca de dois dias, e há muito pouco que eu saiba sobre ele. Seu nome é Dean, e ele é caçador. Não um caçador de gamos ou esquilos, nada disso. Ele caça criaturas como eu.

20 de set. de 2014

One shot: "Submerso"




Eu menti. Olhei nos olhos do meu irmão e menti. Agora a culpa me corrói como ácido, destruindo tudo por onde passa, fazendo cada centímetro de meu ser arder.

Com meu trabalho, com a vida que eu levo, já deveria ter me acostumado a conviver com a culpa, afinal, nem sempre é o dia do caçador, e você acaba perdendo o jogo algumas vezes. É inevitável, eu sei. Mas ainda assim, a ideia não me conforta.

O mais difícil de toda a situação era relembrar a expressão de alívio no rosto de Sam quando ele me agradeceu por ter deixado Amy livre, quando eu sabia que a havia matado sem dar a mínima chance de reação, quando sabia que havia deixado um pequeno garotinho órfão por achar que aquilo era "o certo a se fazer".

Meu pai me criara assim, o que mais posso dizer? "Salvar pessoas, caçar coisas" era o que ele sempre dizia. Se uma criatura tira a vida de um humano, por mais desprezível que ele possa ter sido, era nosso dever pará-la, impedi-la de derramar sangue mais uma vez. Era o nosso trabalho. Simples como diferenciar o preto do branco...

Mas depois de todo esse tempo, de tudo pelo que fomos obrigados a passar - inferno, apocalipse, perdas irreparáveis - o mundo ganhara tantos contornos de cinza que, em certas ocasiões, as coisas não se mostravam mais tão simples. Em determinadas ocasiões, o certo não parecia mais tão certo assim, sabe?