19 de fev. de 2015

Oneshot: "Silver and Gold"


Galerinha, tenho o prazer de trazer pra vocês essa one fofíssima, obra da diva master Ophelia!!! XD
Após meus apelos - drama queen mode on! kkkk -, ela deixou que postássemos ela aqui no nosso bloguinho. \o/ 
Espero que curtam!

Não era uma dama da cidade do lago, tampouco uma mulher de prazeres. Era apenas uma moça, pálida, de olhos azuis cansados e rosto delicado, auxiliando crianças chorosas na beira da cidade em ruínas enquanto os feridos e moribundos clamavam por misericórdia, e seu mais novo governante, Bard, perambulava de um lado para o outro em busca de recursos.

Fili sabia que quebrava regras ao deixar a montanha. Sabia que Thorin ficaria furioso desde que levantara aquela barreira para que ninguém entrasse ou saísse porque a doença do ouro se alastrava por seu ser. O jovem anão nada podia fazer, apenas assistir seu amado tio definhar como tantos outros perante aquele mal.

Por esta razão que ele simplesmente fugia vez ou outra, para observar a cidade em ruínas, observar as pessoas que lhes ofereceram provisões, um local para descansar com a premissa de que recuperariam o ouro de Erebor.

Em questão de instantes, Fili descobriu que o maior problema de Erebor não era Smaug.

O anão suspirou com pesar, mantendo-se escondido quando viu a moça se afastar provavelmente para buscar água ou comida com os outros. Ela deslizava por entre eles com graça, apesar da angústia em seus olhos.



Mas o que mais lhe atraía naquela moça era seu cabelo. Comprido até a cintura e vermelho. Como fogo. Até mesmo suas vestes pareciam mais bem cuidadas do que as das pessoas que cuidava, como se ela ficasse à parte daquele sofrimento, carregando um pão embolorado e dividindo-o entre os que não estavam desmaiados. Era pouco, mas parecia trazer um pouco de cor às faces deles.

O jovem sentia-se culpado por não poder ajudar, por ser apenas um peão na loucura de Thorin, por não ter a coragem necessária para enfrentá-lo. Não como Kili o fazia. Seu irmão era ousado e talvez fosse por isso que ganhasse alguns elogios, ao contrário dele. Fili era sensato e muitas vezes pensava demais antes de agir.

Pensava agora se deveria ou não se aproximar daquela moça. Ela o afastaria? Gritaria e o acusaria de abandoná-los? Ou simplesmente fugiria?

Ela deu um sorriso gentil a uma criança e lhe entregou um urso esfarrapado, deixando os feridos por alguns momentos, passando próxima do local onde o jovem anão se escondia sem nem ao menos notá-lo, pois só tinha olhos para aquela montanha.

Era tão grande e bela, apesar de rústica por fora. Uma enorme pedra que fora cavada até seu âmago e além.

Fili manteve-se escondido, apenas observando-a parada diante das ruínas com os olhos fixos na montanha. Foi quando ouviu passos. Alguns guardas esfarrapados da cidade foram até ela, parecendo... Alterados.

Um deles segurou seu braço com força, puxando-o enquanto o outro a olhava com raiva.

— Nosso povo está sofrendo e você não faz nada para ajudá-los, sua aberração! — Acusara um deles.

— P-por favor, e-eu estou fazendo o que posso!

Um golpe de mão aberta a atingiu no rosto e ela soluçou, sendo presa pelo outro guarda.

— Mentira! Sua mentirosa! Aberração! Devíamos matá-la! — Esbravejou o outro.

Fili desembainhou a espada e agiu, pela primeira vez, sem medir as consequências. Era um enigma para ele o motivo de a chamarem daquela forma, mas ele precisava agir. Golpeou um dos homens na cabeça e apontou a espada para o outro.

— Ela é uma aberração, meu amigo! Devemos matá-la antes que ela nos mate!

— Não sou seu amigo, e essa moça estava ajudando os feridos lá dentro... — Fili dissera entre dentes antes de se aproximar, ficando mais próximo. — E onde você estava? Onde?! — A frustração, as palavras que gostaria de dizer a Thorin saíam para aquele homem que nem sabia o nome. — Solte-a agora antes que eu enfie minha espada entre seus olhos!

O homem rosnou, jogando a garota no chão antes de observar melhor seu oponente.

— Espere um pouco... Você é um deles! Um anão!

Fili hesitou e, sem escolha, nocauteou o homem com um golpe de espada, fazendo-o cair estatelado. Sentia-se nervoso, constrangido e agora culpado, olhando a moça se levantar devagar.

— Obrigada. — Ela disse em baixo tom.

— Por que a chamavam de aberração?

— Porque tenho sangue de elfos. — Ela respondera com simplicidade. — E isso... Não é bem visto. Especialmente por minha mãe ter sido infiel e... Eu ter nascido. Ninguém me aceitava bem nessa cidade.

O jovem anão guardou sua espada, suspirando baixo. — Lamento por isso. Como se chama, milady?

— Gailwen. — Ela sorriu minimamente. — E... Você?

— Fili. — Ele riu. — Não me lembro de tê-la visto pela cidade. Ficamos lá por... Algum tempo que achei que reconheceria todos.

Gailwen sorriu com simplicidade. — Não fico com as pessoas da cidade, meu senhor. Fico... Ficava com minha mãe numa parte mais afastada da Cidade do Lago.

— Sua mãe...

— Morreu durante o ataque. Não pude ajudá-la. — Gailwen soltou delicadamente os ombros, afastando-se dos homens desmaiados para que pudesse ir mais para frente, fitando a montanha com franca curiosidade. — Como é... Lá dentro?

Fili parou ao lado dela, esboçando um sorriso. — É... Lindo. É tão grande, tão... Dourado. Todas as pessoas da cidade poderiam se abrigar ali.

— E por que não aconteceu isso ainda?

— Meu tio... Thorin, está obcecado com a pedra Arken. É...A jóia de Erebor, a pedra mais valiosa do rei.

Gailwen repuxou os lábios levemente. — Sempre achei que o maior bem de um rei era sua reputação.

— Mas a pedra Arken é... Linda. Parece que reflete a luz do sol e da lua, e vale mais do que toda a fortuna que existe dentro desta fortaleza.

— É apenas uma pedra, meu senhor. — A simplicidade de Gailwen o intrigara. — Sim, deve ser linda, mas... Não é ela que faz de seu tio, o rei. Quem o faz rei são vocês, senhores anões, e as atitudes dele. Trancar-se dentro de uma montanha em busca de uma pedra não me parece algo sábio.

Fili umedecera os lábios. — Ele... Não era assim... Foi o ouro. Nós... Somos gananciosos, mas nunca achei que o ouro viria em primeiro lugar para meu tio... E quanto ao nosso povo e... Seu povo?

Gailwen riu com suavidade. — Apesar de ter crescido com eles, duvido que me considerem parte de seu povo. Sou apenas uma aberração, meu senhor.

— Isso pode mudar. Não acho que as pessoas a quem ajudava pensem assim agora.

— Estava me observando, senhor?

O sobrinho de Thorin, pela primeira vez, sentiu-se um tanto constrangido, sacudindo os ombros em claro sinal de incômodo. Sua sorte era que a noite era alta, e a penumbra os envolvia.

— Estava, milady. Queria compreender quem você era.

— Sou apenas uma moça da cidade do lago. Ou... Era, pelo menos, da cidade do lago. — Gailwen riu de leve. — Haverá uma guerra, mestre anão?

— Não sei dizer, milady. — Admitiu o loiro. — Eu queria... Tanto colocar aquele muro — Apontou para a entrada da montanha. — A baixo. Destruí-lo para que vocês possam entrar, os feridos serem cuidados, as crianças alimentadas... Mas não posso. Eu... Eu não sou o rei. Estou quebrando regras ao vir aqui, milady.

Gailwen suspirou baixo. — Eu consigo sentir, mestre anão... Que o dragão era o menor de nossos problemas.

Fili ergueu de leve o rosto para observá-la. Seu rosto delicado parecia tenso enquanto ela fitava a montanha e, por esta razão, o jovem anão fez a única coisa que lhe viera à mente: aproximou-se mais e segurou a mão da moça.

— Ficaremos bem, milady. Nada irá acontecer.

Ela queria acreditar nas palavras gentis do anão, mas... Não conseguia. Seu coração pesava ao imaginar o que viria, mas naquele instante, de mãos dadas com o jovem anão, Gailwen sentia paz.

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