Das
poucas coisas que ele tinha certeza absoluta nessa vida, uma delas era que ele
odiava River Song com todas as forças. Quer dizer, até quanto você podia beber
para ter certeza de alguma coisa? Ele deu de ombros enquanto bebia mais um
daqueles copinhos de vodca. Bebidas decididamente não eram sua área, ele nem
mesmo sabia o nome do copo!
Se ele
estivesse sóbrio, ele diria que ama, mas ele não estava. Aquela mulher era
insuportável! E ele nem mesmo lembrava porque brigou com ela, mas provavelmente
por algum motivo bobo como “você age feito uma criança” ou qualquer coisa
estúpida que ela costumava gritar para ele.
Ela
gritava muito. Nem sempre eram palavras furiosas, e às vezes ele até gostava
desses gritos, mas às vezes eram críticas que ele não merecia. Ou achava que
não merecia. Talvez ele tivesse sendo, na verdade, um sortudo por não ter mais
que tolerá-la. Ou ele estava falando muita bobagem. Pensando. Enfim...
Ele
desistiu da vodca e pediu uma cerveja, que pelo menos ele sabia o nome do
recipiente: garrafa!, enquanto ele entrava na próxima fase dos bêbados onde, no
lugar de se sentir o todo poderoso, a pessoa se torna dramática.
Oh, ele
havia perdido o amor da sua vida! Miseravelmente a perdido! Ela podia ser o que
fosse, mas ele a amava tanto. Ela era tão linda, engraçada, inteligente e
maravilhosa, como se feita para ele.
Ele
sempre havia sido meio atrapalhado, do tipo que tropeça nas próprias pernas,
mas quando ele fazia isso e ela ria, ele não se sentia mal. Ele ria junto. Como
ele foi deixar escapar uma mulher que, apesar de rir dele, era uma risada que o
fazia rir também? Ela sempre estendia a mão e o ajudava, e ele a perdeu!!
Ele
passou a mão na garrafa e foi até o banheiro para jogar uma água no rosto e
tentar pensar mais claramente. Não que seus pensamentos alguma vez já tenha
sido claros.
No
caminho, ele por um instante viu alguém que parecia exatamente com ela na pista
de dança. Talvez pudesse ser, River amava dançar, mas no outro momento ela já
não estava mais lá. Ah, ótimo, agora ele estava tendo visões que o deixavam
pior ainda! Talvez fosse uma boa ideia parar de beber por aquela noite. Ou por
todas as outras noites pelo resto de sua vida.
Ele jogou
a cerveja na lixeira debaixo da pia e encarou seu rosto no espelho. Ele parecia
horrível. Era hora de ir para casa... Literalmente, porque ele olhou a hora no
celular e já eram quase três da manhã. Quer dizer, ele era um adulto! Ele podia
ficar na rua até a hora que quisesse! Não tinha “hora de ir para casa” para
ele! Isso era para criancinhas! Mas ele decidiu ir embora mesmo assim.
Lavar o
rosto com a água extremamente gelada do pub não o fez sentir melhor, porém ele
fingiu que sim. Saiu do banheiro se segurando pelas paredes (ele estava tão
bêbado assim? A verdade era que ele tropeçava da mesma maneira quando estava
totalmente ciente de si também), pagou a conta e cambaleou até a rua.
Talvez
ele devesse ligar para ela? Só para ela não ficar preocupada? Ele caçou o
celular no bolso e errou os números mil vezes até conseguir acertar os dígitos
do telefone de River. Ninguém atendeu. No lugar disso, a voz robótica da
secretária pediu para ele deixar um recado.
- Alô... Errrr... River?... Sou eu... – ele
tinha mesmo que gaguejar tanto? – Eu só queria avisar que tô legal... Você pode
me ligar depois?... É só isso... Tchau...
Aquilo
tinha sido totalmente ridículo. Ele não ligaria de volta para ela, não, nunca
mais! Ou pelo menos não mais essa noite.
Ele
caminhou tortamente pela rua, errou o buraco da fechadura e quase caiu nas
escadas enquanto subia até seu flat.
Oh, seu
sofá!... Ele não se lembrava dele ser tão macio assim... Mas, oh, seu sofá!
Ele pegou
seu celular de volta para olhar a hora. Faria tanto mal assim ligar de volta
para sua River? Ele sentia tanta falta dela... Então ele ligou. E cantarolou
enquanto esperava ela atender.
Estranho,
ele quase podia ouvir o celular dela tocando. Engraçado. Ele devia estar muito
bêbado mesmo. Ele podia ouvir passos no corredor também, o toque cada vez mais
perto, e a voz dela chamando-o.
- John? – opa, essa parte era verdade!
- River! – ele deu um salto do sofá e deixou o
celular cair no chão. – O que você está fazendo no meu apartamento?!
- Esse é o meu, sweetie – ela suspirou. – Eu
ia perguntar o que você está fazendo aqui, mas dá para ver claramente que está
bêbado.
- Eu? Bêbado? – ele apontou para si mesmo e
riu. – Não, eu não estou! Eu estou 100% sóbrio!
- Então o que você está fazendo aqui? – ela
cruzou os braços. A camisola que ela vestia a fazia parecer fofa e sexy ao
mesmo tempo, e ele nem sabia que isso era possível.
- Eu vim ter ver, claro. – ele se sentou de
volta, o mundo estava girando um pouquinho demais e ele cairia se não sentasse.
- Eu pensei que você achasse que eu era
totalmente irritante e estivesse profundamente magoado de eu te chamar de
irresponsável e crianção. – ela cruzou os braços. – Você sabe, toda aquela
história de não querer nunca mais me ver.
- Ah sim... – ele coçou a cabeça. – “nunca
mais” é bastante tempo, né? Eu ainda estou profundamente chateado.
- Certo. Eu vou voltar para a cama, e você
para sua casa, que tal? – ela deu as costas. – E assim podemos nunca mais nos
ver, como você deseja.
- Não River, espera! – ela se virou novamente
e a carinha de cachorrinho que ele fazia era quase irresistível. – Me desculpa.
Eu não quero não te ver nunca mais. Na verdade eu quero te ver todos os dias
pelo resto dos meus dias e... Isso está soando muito bobo.
- Não, é bem bonitinho da sua parte. – ela
andou até a frente do sofá e estendeu a mão para ajuda-lo a se levantar. – Por
que não vamos até a cozinha e eu te faço um café para ver se você não se sente
melhor?
- Eu adoraria. – ele sorriu e pegou na mão
dela. Era macia sob a sua, e quente. E o celular foi esquecido debaixo do sofá.
***
- Certo. – ela entregou a xícara meio cheia de
café para ele. – Sim, tem que ser sem açúcar! E tome cuidado para não derrubar,
está bem quente!
- Ah, mas sem açúcar eu não quero! – ele fez
um beicinho, mas bebeu mesmo assim.
- Depois, faça o favor de tomar um banho bem
gelado. – ela o interrompeu antes que ele pudesse reclamar desse “bem gelado”.
– É para o seu bem, John.
- E que tal se eu te tiver também nesse banho?
– ele tentou, mas falhou, lançar uma piscadinha para ela.
- Se comporte, por favor. Se você for
bonzinho, eu até deixo você dormir na minha cama.
- Mas onde mais eu dormiria???
- No sofá. Na sua casa. No chão. São várias as
opções.
Não
restavam dúvidas que a cama dela era a melhor das opções, e ele não queria ser
chutado noite afora ou largado no sofá. Ele já havia dormido no sofá dela uma
vez, e a dor nas costas no dia seguinte foi memorável. Não, ele não queria mais
passar nenhuma noite ali!
Até mesmo
a noite em que ele dormiu no tapete em frente à lareira foi mais confortável
que aquela. Ou era porque a companhia era agradável. No sofá ele estava
sozinho. Mas River tinha mesmo um tapete muito macio!
- Vou ser bonzinho então... – ele deu mais um
gole do café horrível.
- Boa escolha. – ela deu uma palmadinha no
ombro dele. – Termine logo esse café que eu quero dormir!
E ele
silenciosamente obedeceu.
Ele
também tomou o banho que ela sugeriu, e o sabonete dela era cheiroso. Fazia-o
lembrar de coisas boas. Tinha cheiro de rosas e cheiro dela. Era óbvio que
tinha o cheiro dela, ela usava aquela barrinha todos os dias, era na verdade
ela que cheirava ao sabonete. Mas aquele seria para sempre o cheiro dela. Ele
se sentia menos tonto.
Ela já
estava deitada quando ele acabou. Ele não tinha pijamas ali, então ele usava
apenas a sua roupa de baixo, que era uma camiseta e seu samba-canção de
patinhos, o que não era nada ridículo.
- River... – ele silenciosamente a chamou
depois de se deitar ao lado dela, de costas, encarando o teto.
- Sim, John? – ela respondeu sem olhar para
ele, virada para o outro lado.
- Eu não lembro mais porque brigamos.
- Eu lembro... – ela virou-se finalmente para
ele. – Mas vou fingir que não.
- Isso quer dizer que estamos bem?
- Sim, estamos bem. – e como se para provar
isso, ela deitou a cabeça no ombro dele e o abraçou.
- Eu senti sua falta. – ele suspirou. O cabelo
dela cheirava tão bem e fazia cosquinha no seu nariz.
- Eu sei que sim. – ele a cutucou nas costas
quando ela começou a rir – Ui, cuidado! Certo, eu também senti a sua.
Eles
ficaram quietos por alguns segundos.
- Posso fazer uma pergunta? – ele assentiu – O
quanto você bebeu?
- Três shots e meia cerveja. – agora, mais
sóbrio, ele lembrava pelo menos como chamar aquilo. Mas ainda não o nome do
copo. Ele nunca soube o nome do copo, na verdade. Aquele copo tinha um nome?
- E você ficou daquele jeito? – ela riu, riu
de não conseguir parar, e quando finalmente parou, foi para completar: - Mas
você é mesmo um fracote! – e rir ainda mais.
- Eu deveria ficar ofendido? – ele perguntou,
mesmo sem estar realmente ofendido. Ele era mesmo meio fraco para bebidas.
- Não mesmo. Eu amo inclusive o fato de você
ser um fraco. – ela o beijou então.
Ele a
beijou de volta porque gostava da sensação dos lábios dela nos seus, e depois
da língua quente contra a sua.
- Sabe, - ela quebrou o beijo para comentar –
Você está com um gosto horrível de álcool com café. Você não escovou os dentes
não?
Não, ele
não tinha uma escova ali. Ele deveria ter uma, não? Ele ficou sem graça de usar
a dela. Mas esse não era exatamente o ponto daquela conversa, então esse tópico
ficaria para outra oportunidade.
- Oh Deus! – ele deu um tapinha na testa de
uma forma dramática – Você só sabe reclamar! Vá dormir River!
- Sim, eu adoraria. Foi você que me atrapalhou
sweetie.
Ela
deitou-se de costas para ele, mas ainda tão próxima, como um convite para ele
abraçá-la. E assim ele o fez. Dormir contra as curvas macias de River era como
o seu próprio paraíso, mesmo que os cachos o sufocassem um pouquinho às vezes.
Não que ele fosse falar isso em voz alta. Na verdade...
- Querida... – a voz dele quebrou o silêncio
em que eles estavam mergulhados. – Você não quer prender um pouquinho o cabelo
não? Ou dormir numa outra posição? Não que eu não adore dormir com você assim,
eu realmente amo, mas...
Ela quase
poderia batê-lo. Ao invés disso, ela o beijou novamente. – Você realmente fala
demais John. – e deitou no peito dele, onde seu cabelo não poderia cortar o
suprimento de oxigênio ou algo assim.
Ele
chegou à conclusão que nunca poderia perdê-la enquanto ela suavemente caia no
sono em seus braços. Não era uma constatação de “eu não posso viver sem essa
mulher”, apesar disso também ser verdade (ele se sentia meio sem ar longe dela,
mais do que quando eles dormiam de conchinha). Era a declaração final de que,
não importa o que acontecessem, eles pertenciam um ao outro, e nada podia
separá-los.
Mesmo que
a briga tenha sido, de fato, boba. Não foi aquela briga que provou o quão
inabaláveis eles eram, mas como ela cuidou dele naquela noite, como a boca dela
era gentil contra sua e como eles podiam rir dos defeitos um do outro. Nada
mais importava quando eles estavam juntos, e agora ele tinha certeza disso.
Depois,
ele dormiu, e quando ele acordou no dia seguinte com a pior ressaca que já
teve, ela tomou o tal banho com ele até a dor ser esquecida. E a tal dor foi de
fato se tornando algo em segundo plano na mente dele. River o fazia se perder
muito rápido. E ele nunca quis tanto se sentir perdido. Bêbado, totalmente
tonto, mas a intoxicação era pela presença dela, e assim era bem melhor (e
saudável. Ele, como médico - e sim, ele era formado e em algo importante! -,
sabia o mal que o álcool fazia ao fígado. O seu, pelo menos, agradecia.).


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