Nick não era muito de comemorações de final de ano, mas sua tia, Marie, gostava muito de cada uma das datas do ano em que pudesse correr até o sobrinho para aproveitar algum momento em família. E a família deles era mesmo tão pequena, apenas os dois, que seria crueldade dizer a ela que ele nunca estava no clima.
Afinal os ladrões, sequestradores e todo o tipo de maus
elementos de Portland não costumavam dar uma trégua. Mesmo que o bom velhinho
pedisse pessoalmente a cada um, Nick achava que não iria rolar.
Ele até tinha uma teoria de que eles eram bem capazes de
prender o bom velhinho e obrigá-lo a levá-los de trenó até sua casa no Pólo
Norte, roubar os presentes das crianças sem um pingo de piedade e ainda levar
as renas para vender como animais silvestres. Mas quando ele contou isso para
tia Marie, ela pareceu não compartilhar dessa teoria. Na verdade, ela não
sorriu, nem levemente.
Isso só podia significar ara o policial que a melhor
saída seria comprar logo um presente, decorar a casa mesmo que minimamente, e
comprar algo que lembrasse a data comemorativa para se comer na ceia.
Ok, ele não fazia ideia de como decorar um peru ou
assá-lo, mas ele podia comprar todas as nozes, castanhas, frutas secas e dar a
desculpa de que precisava dela para preparara comida, não é? Sim, a ideia
parecia mesmo boa e possível de ser executada.
Sendo assim, Nick pensou em começar a executar seu plano
pela parte mais fácil dele: a compra da comida e da bebida. Afinal comprar um
presente para a tia dele soava como um desafio bem mais complicado do que o que
se comer, não?
Ao sair da delegacia, ele passou em um grande mercado,
algumas quadras de seu apartamento, e tentou pegar um pouco de cada uma das
coisas de Natal que estavam escritas como “delicias do Natal” no panfleto. Ele
até escolheu um peru que parecia grande demais só para eles dois, mas não havia
um menor, então teve que ser aquele mesmo.
Ele também deu um jeitinho de puxar conversa com uma
senhora amigável e descobriu o que era necessário para se preparar o bichinho e
comprou também. Tia Marie ao menos poderia ficar orgulhosa pelo esforço dele,
não?
De lá, ele partiu para eu apartamento, acomodou o peru no
congelador, as frutas na geladeira e jogou todas as sacolinhas com castanhas no
armário de comida para arrumar depois, afinal ele ainda tinha a parte mais
complicada do plano pela frente: um presente para sua tia.
Marie era como uma mãe para ele, literalmente. Após a
morte de seus pais, ela não havia se tornado apenas a responsável por ele, ela
realmente amava cuidar de Nick e o fazia da melhor forma possível.
Ainda hoje, quando ia se deitar, ele se lembrava do como
ela costumava contar-lhe histórias para que ele dormisse a noite. Ela era o
tipo de pessoa que nunca riu dele se ele acordava em um pesadelo, dizendo que
havia visto um mostro em baixo da cama algo do tipo.
Pelo contrario, ela era sua super heroína, pois estava
sempre com uma vassoura de prontidão para bater no safado do monstrengo que por
ventura estivesse escondido ali embaixo. Claro, nunca houve nenhum, mas ele
costumava pensar que essa era a sorte deles, porque, com certeza, se ela
pegasse algum ali embaixo, ele apanharia tanto, mas tanto, que nunca mais na
vida dele atrapalharia uma criança dormindo.
Foi com um sorriso pela lembrança que ele estacionou no
shopping. Comprar um presente que agradasse a sua tia, com certeza, não seria
algo tão difícil. Ele sabia que ela era incapaz de dizer que algo não era o que
ela queria, para ser sincero, ela era bem mentirosa nesse ponto, pois ele
lembrava como ela havia feito uma festa quando ele havia lhe dado meias de frio
e um gorro, quando na verdade podia jurar que ninguém iria querer ganhar
aquilo.
Desta vez seria diferente, ele queria dar um presente
bonito para sua tia, a super heroína de sua infância merecia algo bonito, algo
que as mulheres realmente gostassem, algo que desse a seu rosto um sorriso não
apenas verdadeiro, mas que Nick pudesse sentir que era “aquilo mesmo, de
verdade, que ela queria”.
E ao perceber que ele tinha tantas expectativas assim de
um presente... bem, aí a coisa toda pareceu bem mais complicada de se fazer.
Afinal, o que dar a mulher mais importante de sua vida até então? Não que sua
mãe biológica não fosse importante, Nick nunca a esqueceria ou deixaria de
amá-la, mas sua tia, bem, ela estava a cima desse amor incondicional de mães e
filhos, ela realmente era alguém que ele nunca queria perder e que adoraria
fazer feliz.
Ele caminhou pelo shopping e olhou várias e varias
vitrines. Dentre vestidos, sapatos, joias, perfumes e objetos de decoração, mas
nada parecia realmente atrair seu olhar. Ele queria um presente marcante, mas
nada do que viu parecia prender sua atenção por mais do que alguns instantes e
isso o frustrava.
Nick estava caminhando pelo shopping já fazia mais de uma
hora e a tristeza começava a fazer parte de seu semblante. Ele se sentia
tremendamente derrotado. “Duvido que alguém seja tão incompetente pra comprar
um presente pra alguém como eu...”, ele dizia a si mesmo após sentar-se em um
banco derrotado e bufar frustrado.
Ele não olhava para lugar nenhum em especifico, apenas
havia colocado um dos braços apoiado em uma perna e segurava a cabeça sem muita
vontade, difamando-se internamente, quando uma garota ruiva saiu de uma loja
cheia de sacolas.
Por si só, a moça já chamava a atenção, mas infelizmente
não só a de Nick, pois sua bolsa pendurada aberta em um de seus braços fez com
que um homem corresse até ela e a roubasse. Ela imediatamente soltou as sacolas
e o telefone celular, que ainda estava em uma ligação, e estava a ponto de
gritar por socorro.
Mas para o azar do meliante, Nick estava justamente
olhando para aquela bela ruiva, a personificação da bela Jean Grey que ele
costumava ver em seus gibis favoritos, e não tardou para dar um pulo e correr
atrás do salafrário.
Infelizmente não havia muitas pessoas dispostas a ajudar,
pois Nick perceber que elas até desviavam dele, mas assim que passaram por um
quiosque com roupas e parafernálias de fantasias e cosplays, Nick não teve
dúvidas e pediu uma rápida licença da atendente e pegou uma imitação de arpão
de rei dos mares e atirou nas pernas no ladrão.
O rapaz se desequilibrou e como o piso do shopping era
liso, “viva o mármore”, Nick pensou consigo; não demorou para ele desabar no
chão. Imediatamente Nick correu até ele e lhe deu voz de prisão, agradecendo
mentalmente por ter as algemas no bolso e por não ter se trocado antes de ir às
compras.
A moça da loja de fantasias, que a princípio achou que
ele fosse roubá-la, foi a primeira a se prontificar a chamar a segurança do
shopping assim que viu Nick algemando o meliante. Logo uma dupla de seguranças
estava ali, pronto para levar o ladrão para esperar uma viatura.
E, bem, fora eles, a bela garota ruiva também havia chego
ali. Nick não sabia aonde ela havia deixado todas as suas sacolas, mas seus
olhos estavam vermelhos e com certeza ela estava chorando pelo susto de ser
assaltada.
Ele pegou a bolsa dela e a entregou, sorrindo para tentar
confortá-la e tocando seu braço. Assim que pegou sua bolsa, a garota
imediatamente perdeu a compostura e o abraçou, agradecendo imensamente a ajuda
e soluçando.
Nick ficou sem graça e acabou correspondendo ao abraço.
Afinal, que mal tinha em aceitar o abraço daquela moça aflita, não? Ok, ela era
linda de morrer, a personificação da personagem mais bonita de seus quadrinhos
de infância e o cabelo dela era macio e tinha um cheio tão gostoso.
- Obrigada, obrigada, obrigada! Você foi tão corajoso,
foi tão rápido. Ah, eu não posso nem imaginar o que seria de mim sem minha
bolsa – ela disse sincera após soltá-lo.
- Bem, não foi nada... – Nick respondeu encabulado, ainda
mais com aqueles belos olhos o encarando tão de perto e aquele sorriso
estonteante voltado para ele.
- Foi sim, foi o ato mais heródico que alguém já fez por
mim, hann, bem...Como você se chama mesmo? – ela fechou um dos olhos e
perguntou levemente encabulada, de um jeitinho que fez Nick sorrir.
- Me chamo Nick – ele disse estendendo a mão e ela logo a
pegou.
- E eu sou Juliette. E, saiba, é realmente um prazer e
tanto conhecê-lo – ela sorriu sem graça – porque, sabe, se não fosse por você
eu estaria sem minha carteira, sem meus documentos e, o pior de tudo, sem a
minha lista de presentes. Literalmente, eu estaria perdida Nick, você foi o meu
herói! – ela disse com um sorriso sincero.
Ele pensou em dizer a ela que era policial e fazê-la
acreditar que ele realmente não havia a ajudado só porque ela era linda. Mas no
fundo ele sabia que mesmo que fosse um pintor de paredes iria correr para
ajudá-la, então era melhor não negar e não chocá-la mais ainda.
- E, bem, sabe, se não estiver com pressa, eu gostaria de
agradecer pela ajuda – ela disse levemente encabulada, mas se completando
rapidamente assim que ele olhou para ela – afinal não custa nada eu pagar um
café para a boa alma que me ajudou, não? – ela disse dando de ombros.
- Bem, eu não sei...
- Se sua namorada não ligar, é claro!- ela se corrigiu
rapidamente.
- Eu não tenho nenhuma... – ele acabou deixando escapar e
ela sorriu com aquilo.
A resposta de Nick foi a deixa perfeita para ela pegar o
braço dele com o seu, lhe dar algumas sacolas, e levar sua bolsa bem pertinho
de si desta vez.
- Assim você me ajuda também – ela tentou bancar a
espertinha que só queria ajuda.
- Mas e se seu namorado ver? – ele também não pode perder
a chance de descobrir se ela tinha alguém, não? Ele precisava ver se valia a
pena sonhar por ela.
- Nada! – ela fez um movimento de “deixa pra lá” com a
mão que segurava a bolsa. – Quem não existe não tem como reclamar, não?
E, como não havia impedimento nenhum, de ambas as partes,
eles seguiram para o café. Nick até fez questão de pegar todas as outras
sacolas da mão da moça, e ela se sentiu muito feliz por isso.
Ele até puxou a cadeira para ela se sentar enquanto a
garçonete trazia o cardápio e ficou encantado pelo fato de ela ser fã de café
preto, já que tinha uma cara de menina de cappuccino, ele até deixou o
comentário escapar após a garçonete anotar o pedido e sair buscá-lo e isso foi
à deixa perfeita para eles começarem a conversar.
E a cada novo comentário eles iam descobrindo mais e mais
sobre o outro, e esquecendo-se completamente da hora. Quando deram por si, o
shopping já estava fechando, mas Nick tinha certeza que sua tia podia perdoá-lo
por deixar o presente para o dia seguinte, não?


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