25 de set. de 2014

One shot: "Little Warrior"


Emma

Minha vida. O que dizer dela? Tudo que ouvi foram comandos, frases com quase nenhum sentimento, simples ordens. "Seja uma boa menina Emma, orgulhe sua mãe", ou "Você precisa comer isso Emma", ou ainda "Você precisa suportar a dor, Emma. Ela nos faz fortes."

Como eu disse, apenas ordens, como se eu fosse uma robô que precisasse seguir uma programação. Até mesmo vivo numa espécie de centro de comando, ou campo de concentração, quartel general... algo desse gênero. Somos treinadas para matar, mais fortes do que a maioria e evoluímos mais rápido. A principal prova disso é que, tecnicamente, tenho apenas três dias de vida e aparência de uma garota de dezesseis anos.

Não, você não está louco. E nem eu, desculpe desapontá-lo. Não sou exatamente humana, e não há nada que eu possa fazer para mudar isso. Em resumo, sou uma guerreira Amazona, descendente das antigas tribos gregas. E parte do fardo de ser quem eu sou, ou melhor, de ser o que eu sou, é o ritual de iniciação pelo qual todas temos de passar: matar o próprio pai.

Meu pai. O vi apenas uma vez, há cerca de dois dias, e há muito pouco que eu saiba sobre ele. Seu nome é Dean, e ele é caçador. Não um caçador de gamos ou esquilos, nada disso. Ele caça criaturas como eu.

Se a escolha dependesse de mim, nem mesmo me aproximaria dele. Não por não querer conhecê-lo... Só não queria matá-lo. Sentia que era errado, mas era o meu dever. Assim, na noite do terceiro dia, me vi batendo na porta de seu quarto de hotel, carregando uma grande mala que deveria servir apenas como distração.

Eu recebi ordens, instruções, e deveria segui-las à risca. Mas quando ele abriu a porta, tudo o que eu havia visto e ouvido junto das outras amazonas pareceu se desvanecer em minha mente. Ali estava ele, parecendo ainda mais bonito e corajoso do que na única lembrança que eu possuía dele.

- O que você quer? - ele indaga ao abrir uma fresta da porta, encarando-me com uma expressão desconfiada. Não podia culpá-lo por isso, afinal, minha missão ali era matá-lo, não?

- Eu preciso da sua ajuda - me vi respondendo, fugindo completamente do roteiro que eu deveria seguir.

- E por que eu deveria ajudá-la, menina?

- Porque... Meu nome é Emma, e você é meu pai.

- Pa... Pai? - Dean questiona, parecendo desconcertado. - O que quer...

- Você sabe o que quer dizer, aí no fundo - digo a ele. - Vai me ajudar?

Sem dizer uma palavra, ele abriu a porta o suficiente para me deixar passar, fechando-a às suas costas em seguida. Com um aceno, ele me indicou uma das camas e prontamente me sentei na beirada da mais próxima.

- Como me encontrou?

- As amazonas o estão vigiando desde o momento em que conheceu Lidya. Foram elas que me mandaram até aqui, para que eu cumprisse o ritual de iniciação.

- Para me matar, você quer dizer - ele afirma, cruzando os braços e recostando-se numa cômoda.

- Sim - respondo, mesmo que não fosse mais necessário. - Mas não é o que eu quero fazer - digo, largando no chão a longa adaga que me fora entregue horas antes. - Não quero matar meu próprio pai! Não quero ser como elas... Só quero uma chance, Dean! Me ajude a fugir para longe disso tudo, a recomeçar em qualquer lugar como uma garota normal.

- Desculpe desapontá-la Emma, mas você não é normal. Além do mais, por que eu deveria acreditar em você?

- Eu não sei... Mas por algum motivo, eu confio em em você! Mesmo que só tenha lhe visto quando eu ainda usava fraldas.

- Ou seja, há dois dias - diz ele, com um leve sorriso. - Você era uma garotinha linda.

- Acho que saí ao meu pai!

Nesse momento, aporta do quarto se abriu com um estrondo, revelando um rapaz alto que eu não reconhecia, e que trazia uma pistola apontada diretamente para o meu coração.

 - Não se mova! - ele grita para mim, sem desviar o olhar do meu.

- Por favor, não atire! - suplico, erguendo as mãos em sinal de rendição. - Pai - continuo, voltando-me para Dean, lágrimas já embaçando minha visão -, não deixe ele me machucar!

************

Dean

Emma dormia enrolada em cobertores há algum tempo, na cama que eu ocupara na noite anterior. Sam estava na cama ao lado, descansando depois de muito relutar sobre o que fazer com aquela garota.

Eu sei, estou sendo hipócrita ao mantê-la viva depois do que fiz à Amy, mas... Família é meu ponto fraco, o mundo inteiro sabe disso, e eu não seria capaz de matar alguém que faça parte dela, mesmo que esse alguém fosse uma criatura sobre-humana.

Meu irmão e eu havíamos chegado no consenso de esperar até o amanhecer para então decidir o que fazer. Na verdade, aquelas horas pareciam ser um teste de Sam, para descobrir se a menina estava mesmo sendo sincera ou não.

Em meu íntimo, me sentia completamente dividido. Minha razão e instintos diziam que era mais piedoso terminar com aquilo de uma vez, mas uma força inexplicável implorava para que eu desse uma chance à Emma, que a deixasse provar que poderia ser alguém diferente.

Estava imerso nesse pensamentos conflituosos quando um som doloroso chamou minha atenção, me fazendo saltar do sofá onde estava deitado e correr até a cama onde Emma estava. A ruivinha fora acometida por uma crise de tosse, que vinha acompanhada de mais sangue do que seria saudável.

- Emma? - chamei, sacudiando-a pelos ombros o mais delicadamente que a minha falta de jeito permitia. - Emma, fale comigo! O que está havendo?

- Dean, o que está acontecendo? - era Sam ao meu lado, olhando de mim para a garota, que tossia e respirava com dificuldade.

- Pai... - Emma tentou murmurar, encarando-me com medo estampado em seus olhos. - Pai, isso dói! O que está acontecendo comigo?

- Eu não sei pequena, mas vamos ajudá-la, está bem? Aguente firme! - respondo, deixando transparecer a apreensão em minha própria voz. - Sam, as chaves! Vamos levá-la ao hospital - digo ao meu irmão, tomando Emma nos braços e correndo com ela para fora do quarto.

Havia acabado de acomodá-la no carro quando uma nova crise de tosse a acometeu, fazendo-a expelir ainda mais sangue. Sua blusa já não era mais cor de rosa, mas sim algo de um vermelho pastoso e grudento.

- Sam, você é o gênio aqui. O que está acontecendo? - questiono num sussurro, antes que ele desse partida no veículo.

- Eu não sei Dean, e a única teoria em que consigo pensar não tem uma perspectiva muito boa.

- Que teoria?

- Emma não completou o ritual de iniciação, e talvez...

- Talvez?

- E talvez ela não possa sobreviver sem isso, Dean.

E para dar ainda mais ênfase às palavras de meu irmão, Emma começou a tossir de novo, e quase não conseguia mais puxar ar entre uma crise e outra.

- Pai - ela murmura, segurando firme em minhas mãos -, obrigada por me dar uma chance. Foi mais do que eu merecia - ela continua com esforço, lágrimas se misturando ao sangue que marcava seu rosto delicado. - E... Preciso que saiba que... eu amei você pai... mesmo sendo o que... o que eu sou.

- Emma - e agora eu mesmo estava chorando, mortificado por vê-la morrer daquela maneira sem poder fazer nada para ajudar.

- Adeus... papai - e com um último suspiro, ela fechou os olhos. Seu corpo jazia frouxo em meus braços, e já sabia que aquilo havia terminado.

Arrasado, beijei sua testa uma última vez antes de pedir a Sam para dar meia volta. Precisava encontrar um lugar onde Emma pudesse descansar em paz, para só então dar-lhe um adeus definitivo.






2 comentários:

Ana Alice Holdford disse...

Vamos começar aqui com uma confissão: eu nunca na minha vida assisti Supernatural. Eu conheço os protagonistas (que são bem sexys) e também sei que o antigo chefe de Mulder e Sculy no Arquivo X faz um personagem na série (creio eu que avô deles, se não me engano),mas eu nunca assistia série mesmo...

Porque? Num sei... Acho que eu assistia tanta coisa sobrenatural que achei que ia confundir tudo, sei lá, ehehehhe.

Enfim, mas vamos ao que interessa.

Eu posso não ter assistido, mas se tem uma coisa que eu sou nessa vida é curiosa! E aí a Dai me conta que esta escrevendo a fic e eu não resisti em lê-la, né? Afinal one shot é curtinha e se eu não entendesse era só perguntar pra Dai, ehehehe. Sim, minha gente, eu alugo os outros assim.

Eu morri de dó da Emma. Sério! Ela parecia uma pessoa focada em fazer o certo até que seu coração mostrou que o certo era o outro caminho. A pobre nasceu e cresceu em dias (Nessie sua amiga, hein?) e foi mandada pra matar o pai (sabe, Nessie, deixa quieto, melhor não brincar com ela, sabe?), mas no fundo ela tinha um coração bom sim e não conseguiu fazer mau ao pai, ehhhhhhhhhhh!!!

Imagino como é saber que você tem uma filha desse tamanho do nada e ela quer te matar, ahuahaua. Ela poderia ter morrido se ele não tivesse realmente acreditado nela, né?

Mas no final eu morri de dó, porque embora ela o tenha salo, ela não pode ser salva... tadinha!!!

Vocês podiam dar um pulo em TVD e pegar a Bonnie emprestada (assim que a trouxerem ao mundo dos vivos de volta) porque ela costuma ressuscitar pessoas, sabe? Acho que seria uma mão na roda nessa situação, ehheeh :D

Beijinhos

Unknown disse...

Ana:

Que crime, que heresia!!!! Como assim nunca viu SPN???? Calma, estou brincando, ok? Eu mesma estou recuperando as temporadas perdidas pra tentar alcançar a décima o quanto antes! E bem, Jensen e Jared são gatíssimos, talentosos e zueiros, não tem como não amá-los.

Você sabia que a curiosidade matou o gato? Não? Pois agora fique sabendo! Como diz o tiozinho do filme dos Croods, tudo que é novo é perigoso! kkkkkkkk Neeeeeeeeem, tô de zoa, releve! Mas voltando... Daizinha é uma fofoqueira safada que já sai espalhando aos quatro ventos sobre as fics alheias. Deixa eu pegar essa garota na esquina pra ver o que faço com ela! kkkkkkk Enfim, como ela também assiste, pode mesmo perguntar pra ela, ou pra mim, somos alugáveis para pessoas legais.

Tipo... quando assisti o episódio que me inspirou a escrever essa one (foi um da sétima temporada, só não recordo qual), fiquei com o coração apertado ao ver o desfecho que a Emma teve. Por isso resolvi fazer uma historinha um pouco diferente, mesmo que no fim das contas Emma ainda tenha morrido no fim. Mas ao menos aqui, ela partiu sendo querida por alguém, e tranquila por ter seguido o coração ao invés do instinto.

Deve ser um choque tremendo sair com uma moça numa noite, e três dias depois uma adolescente bater na sua porta te chamando de pai. Não querioa ter estado no lugar do dean nesse momento, é só o que eu digo. Ao menos nessa one Emma foi sincera, e Dean aberto o bastante para confiar nela (coisas que nãoa conteceram no episódio.)

Também morri de dó pela garota ter de morrer no final, mas digamos que foi um mal necessário à coerência dos personagens. Para maiores explicações, me chame nun chat! kkkkkkk

Bem, pedir ajuda de bruxas é interessante, mas Winchesters são mais acostumados a fazer pactos com demônios para ter seus entes queridos de volta... hehehehe

Bjokas Ana! :*

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