Eu estava
concentrado em parecer concentrado em algo, mesmo que não tivesse nada o que
fazer. Naquele instante o meu Palácio Mental parecia um Paraíso, sabe? Eu
poderia passear por ele dias a fio, sem me preocupar... Mas um som chamou minha
atenção, a pestinha estava ali com a mãozinha próxima ao meu violino. Tentei
fazer uma cara de mão e a encarei, mas ela sorriu e partiu em minha direção. Lá
estava ela. Bochechas rosadas, mãozinhas coladas e um sorriso assustador, todo
esse conjunto apontado para mim, enquanto eu me limitava a segurar meus dedos
colados uns aos outros bem próximos ao meu rosto.
“John,”
chamei o tratante responsável pela pequena figura “acho que alguém está te
procurando”. E embora eu quisesse que a voz de meu amigo soasse, não houve
nada. Aliás, dizer que nada aconteceu e que nenhum som deu o ar da graça era
mentira, já que eu ouvia passos apresados e a porta da frente sendo fechada.
“Ah John...Marry...vocês me pagam”, aquilo foi um sussurro para mim mesmo
enquanto os observava pular para dentro de um táxi no instante em que eu
cheguei a janela.
Mas embora
a minha revolta fosse tamanha (aquele que havia jogado aquela conversinha de eu
ser Sr melhor amigo me enganou enquanto eu me encontrava em pensamentos
profundos sobre nada em especial) um som de um objeto quebrando me fez repuxar
os ombros e fechar os olhos em desgosto. Ah Deus , porque? Porque eu?
“Ooops...”
aquela voz deveria soar doce... Mas, ah Deus, ou seja lá quem for a entidade
superior disponível no momento ai no céu, dê-me forças para não matar essa
criança ao me virar... Me ajude a esperar o maldito pai dela voltar e esganá-lo
com o fio do telefone.
“Tio
Sherly... acho que caiu”, ela disse inocentemente e eu contava até um milhão
antes de dizer o óbvio: “Ah você acha? Ah não, meu anjo, não caiu, ele cometeu
suicídio ao pular de sua mão!” era o que minha mente gritava, aliás, era eu
gritando isso nela, mas a senhora Hudson passou pela porta antes que eu
transformasse a coisa toda em fato concreto.
“Emma,
querida, a vovó trouxe biscoitos!”, era a senhoria que mudava de time tão
rápido como o passe dos jogadores... “Oh!”, ah sim, ela viu o que houve e se
ela se espantou, eu já tenho uma boa noção do que aconteceu. Aliás, só de
analisar o barulho de como ele atingiu o chão eu já tinha noção do estrago, só
estava tentando manter meus olhos longe da comprovação visual...
E como se
achasse que eu não havia ouvido o “pular da morte” de meu violino, a senhora
Hudson correu até a pequena Watson, após deixar a bandeja de biscoitos a mesa.
Era interessante como ela tentava sussurrar um “oh querida...você não...”
“Ah ela
sim, senhora”, eu me interpus, enquanto corajosamente me virava para observar
os estragos. Ali ao chão estavam os restos mortais de meu querido e caro
Stradivarius... A algoz de meu instrumento estava levemente corada, mudando seu
olhar para o que ali jazia, a senhora Hudson e para mim.
Como se o
carrasco da história fosse eu, a senhoria se abaixou e abraçou a garotinha
protetoramente, enquanto eu não podia fazer nada mais fora bufar frustrado e
difamar John por ter tido a grande idéia de se casar, ser pai e deixar o
resultado de suas más escolhas em minha sala naquele momento. Maldito
Stampford...
Joguei-me
na poltrona em uma tentativa vã de ignorar a cena, principalmente os cacos de
meu violino. Juro, nesse instante, eu daria tudo para um caso, qualquer um, por
mais insignificante e sem graça que
fosse, tudo para que pudesse ocupar minha mente e ter um álibi para ter deixar
a tal criaturinha loira única e exclusivamente sob os cuidados de Martha
Hudson, sem ser julgado por isso, claro.
Permaneci
quieto, encarando o nada, com os braços cruzados e a cara fechada, não queria
ouvir uma única palavra de ninguém, só pensava na infelicidade de meu
Stradivarius quando olhinhos azuis surgiram na minha frente.
“Tio, o
senhor está bravo comigo? Foi sem querer...” a pequena destruidora de
instrumentos musicais disse em uma voz embargada.
“Não se
preocupe, querida” eram as palavras da senhora Hudson, que vinham da cozinha.
“ele só está emburrado, deixe-o aí e venha comer”.
“Emburrado?
Eu!” levantei dali revoltado, mas enquanto a senhoria sacana apenas fazia que
sim com a cabeça, a pequena criatura loira baixou os olhos e começou a soluçar.
Céus, eu deveria chorar e não ela.
“Sherlock!”,
ah sim, e ainda sou repreendido! “Não faça Emma chorar! Imagine o como John e
Mary ficarão tristes ao descobrir que você tratou a filha deles tão mau”.
“Eu não
tratei ninguém mau. Meu violino, por outro lado, ele sim foi esmigalhado”.
“Acidentes
acontecem!” a senhorinha ralhou, já perto o bastante da garotinha e começando a
afagar seus cabelos.
Aquilo sim
era revoltante, e em pé eu voltei para a janela. Porque diabos John e Mary
tinham que ir ao teatro hoje mesmo? Eles já não tem tempo o suficiente juntos?
Precisam deixar essa criatura aos cuidados alheios assim?
Eu estava
avaliando a possibilidade de sair dali atrás de um caso e não m importar com
qualquer palavra de descontento vinda de John no futuro quando vi uma senhorita
atravessando a rua. Ela olhava os números das casas e correu a fachada da minha,
mas parou por alguns instantes antes de entrar. Clientes! Sim, isso era o que
eu precisava! Uma cliente!
Tudo bem que quando a pessoa vem bem convicta
e para do nada a minha porta para pensar melhor em seus atos isso só pode
caracterizar algum caso de amor mal resolvido... Mas e daí se eu tiver que
perseguir algum adultero, hein? Antes isso do que cuidar de Emma Watson e vê-la
destruir todos os meus pertences com o consentimento da senhora Hudson!
Ah aquele
momento de apreensão, vamos moça toque logo essa campainha, vamos!Ela virou as
costas para a porta e parou, ah, mas eu não perderia a minha chance. Corri pela
sala, sob os gritos de protesto da senhoria, e desci as escadas pulando os
degraus de dois em dois (ok que um eu tive que andar certo, já que são 11
degraus, um número par, o que impossibilita que eu pule a todos eles de forma
“par”, enfim!), chegando até a porta de entrada e a abrindo rapidamente.
A garota
estava com o pulso no ar, pronta para apertar a campainha, e se mostrou
surpresa ao me ver. Pulando toda a chatice das apresentações, eu a levei até a
sala da senhora Hudson, no andar de baixo, já que a minha própria não poderia
ser usada naquele instante.



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