O Um Anel fora destruído. Sauron enfim havia sido derrotado. E a Terra Média finalmente teve seus tão merecidos dias de paz, depois de toda a escuridão pela qual passara.
Foi num desses recentes dias de paz que Arwen chegou a mim, e no seguinte a tomei como minha esposa. Finalmente pude me sentir completo, como nunca antes. Me chamavam agora Elessar, Rei de Gondor e Arnor, e não mais Aragorn, mas isso não mudava em nada o amor que eu sentia pela senhora que roubara meu coração tantos e tantos anos atrás.
E assim se passaram os primeiros dezesseis anos de nossa união, com esse sentimento fortalecido a cada nova aurora, e cantado com fervor em cada novo crepúsculo. Eu poderia admirar minha amada Arwen até o fim de meus dias, mas isso ainda não seria o suficiente. Tocar seu rosto delicado e sentir o perfume de seus cabelos nunca seria o bastante, e se me fossem dadas outras vinte vidas, ou mil, as passaria todas ao lado de minha estrela favorita.
Ela me completava, essa era a verdade. Depois de todas as nossas lutas, fora com ela que eu enfim encontrara um lar. Foi Arwen quem fez de mim o homem que sou hoje. Foi por amor a ela que lutei todos os dias até aqui.
Talvez um dia, depois de partimos desse mundo para o descanso nas verdes planícies de nossos antepassados, cantem canções sobre nós, assim como cantam sobre o amor de Lúthien e Beren, a mesma canção que eu mesmo cantava na primeira vez em que vi minha amada. Quem sabe um dia, alguém cante aos quatro ventos que quer um amor como o de Aragorn e Arwen, o guardião e sua estrela, o homem e a imortal que lutaram juntos por seu amor.
Amor que viveu um de seus dias mais memoráveis cerca de duas semanas após regressarmos de uma temporada na capital do norte, Annúminas.
A noite já ia avançada, coroada com numerosas constelações brilhantes, quando minha esposa tomou minha mão na sua e me levou até a sacada de nossos aposentos. Ali, sob o brilho das estrelas, ela olhou em meus olhos e deu-me a notícia de que em breve teríamos uma pequena criança nos braços, uma garotinha linda como a mãe ou um garotinho tão bravo quanto o pai, um filho amado e querido, uma prova viva do sentimento que nos uniu como um só.
Seguiu-se a essa noite meses de espera, mimos, risadas, receios e preparativos. A cada nova manhã, Arwen acordava ainda mais graciosa do que no dia anterior, coisa que eu julgaria ser impossível antes de sua gravidez. Afinal, ela sempre fora bela aos meus olhos, mas aquele bebê lhe trouxera uma nova luz, que só fazia com que eu me apaixonasse mais e mais por ela.
E então, numa manhã ensolarada, Arwen deu à luz nosso primeiro filho, o qual chamei Eldarion, o Filho da Estrela, herdeiro da casa de Telcontar. Ele tinha muitos traços meus, confesso, mas tinha os olhos da mãe, e logo soube que ali estava um garotinho que nascera para ser um grande homem no futuro.
Pegá-lo no colo pela primeira vez encheu meu coração de orgulho e esperança, e ter seu olhar de bebê focado em mim fez com que lágrimas escorressem preguiçosamente por meu rosto, onde contrastavam com o sorriso que eu não podia conter.
Vê-lo assim, tão perfeitinho em meus braços, me fez questionar se meu pai, Arathorn, havia sentido o mesmo quando eu nascera; se ele se sentira transbordar de amor por uma criatura tão pequena e indefesa quanto eu sentia nesse momento.
A vontade que eu tinha era reunir todo o povo de Minas Tirith em frente à Árvore Branca, em nosso jardim de pedra, e apresentar-lhes meu filho, mas sabia que isso teria de esperar ao menos até a manhã do dia seguinte. Afinal, Eldarion acabara de nascer e precisava ficar perto da mãe, que sorria docemente enquanto nos observava.
Arwen parecia ainda mais bela, sem nenhum sinal de cansaço ou dor. Havia apenas orgulho e amor em sua face delicada, junto de algumas lágrimas cristalinas, que pareciam se esforçar para não deixar o rosto perfeito de minha amada.
- Aragorn? - ouvi sua voz melodiosa me chamar, fazendo com que eu me voltasse para ela no segundo seguinte. Ela ainda me chamava por aquele nome, e eu, de alguma maneira, me sentia grato por aquilo.
- Sim, Estrela da minha vida - respondo em seguida, aproximando-me e sentando ao seu lado com nosso filho ainda em meus braços. – Como se sente?
- Perfeitamente bem – ela responde com um sorriso doce, aninhando-se ainda mais nas macias almofadas dispostas ali. – Ele é lindo, não é?
- Tanto quanto você – murmuro, inclinando-me lentamente para beijar-lhe delicadamente. – Agora, acho que ambos precisam de algumas horas de sono e descanso, não? – completo, ajeitando cuidadosamente o pequeno garotinho em seus braços.
- E o que o senhor meu marido fará enquanto isso? Vai organizar uma grande festa na cidade branca? – ela indaga, com uma expressão divertida.
- É uma ideia interessante, na verdade! Quem sabe mais tarde faça isso – digo no mesmo tom, fazendo-a sorrir com aquilo. – Mas no momento, apenas mandarei cartas aos nossos velhos amigos, convidando-os a vir conhecer nosso pequeno príncipe.
- Merry e Pippin ficarão radiantes, já posso vê-los paparicando o sobrinho postiço e ensinando canções do Condado a Eldarion.
- E é por isso que eles são indispensáveis – respondo, beijando-lhe a testa e colocando-me de pé em seguida. – Agora descanse Arwen. Voltarei em breve – completo, deixando o quarto.
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Cinco anos se passaram desde o nascimento de nosso primogênito, e não poderia haver criança mais carismática e adorável – sem esquecer de mencionar bagunceira! – do que Eldarion. Nossos amigos hobbits vinham nos visitar com frequência desde o seu nascimento, e grande parte das peraltices de nosso príncipe eram ensinadas por Mestre Peregrin e Mestre Meriadoc, que, apesar de tudo pelo que passaram, conservaram o espírito divertido e brincalhão, o que deixava os corredores e pátios do palácio muito mais animados, confesso.
Foi logo após a festa de aniversário de nosso filho que Arwen deu-me a notícia de que estava grávida novamente, e que em breve a casa de Telcontar estaria repleta de chorinhos noturnos e passinhos vacilantes mais uma vez.
Nem consigo expressar a felicidade que me invadiu naquele momento. Saber que teria mais uma criança para animar meus dias, mais um bebê para embalar, cantar canções de ninar e contar histórias fantásticas sobre magos brancos e pequenos hobbits corajosos deixava meu coração cheio de expectativa e alegria.
Além disso, saber que o amor que eu sentia por Arwen permaneceria vivo em nossos filhos era uma sensação mágica. Eldarion e o irmão – ou irmã – seriam as provas vivas de que minha amada esposa e eu fomos felizes e completos em nossa união.
Como na primeira gravidez, Arwen foi tomada por um brilho especial, que se refletia até mesmo em nosso garotinho, que parecia mais ansioso do que nós mesmos para conhecer o irmãozinho que estava a caminho.
Aliás, explicar como o bebê chegaria foi uma tarefa um tanto estranha, afinal, não se poderia dar uma explicação técnica a um menino de cinco anos, não é? Foi nesse momento que Merry e Pippin entraram em ação, com suas histórias fantásticas e coloridas.
Desse modo, Eldarion descobriu que eram as grandes águias do norte que nos traziam os bebês quando eles estavam “prontos”, embrulhadinhos em mantos élficos que os protegeriam do frio que fazia no alto das nuvens. Assim, meu pequeno cavaleiro passava horas no pátio da árvore branca, fiscalizando os céus em busca de sinais das grandes aves que trariam seu irmãozinho.
Numa manhã fria de fim de outono, águias sobrevoaram a Cidade Branca, para alegria de meu primogênito, que entrou correndo em nossos aposentos, ainda com suas roupas de dormir, para contar-nos a novidade. Por uma feliz coincidência, Eldarion deparou-se com a mãe em trabalho de parto.
Pouco tempo depois, já estava com minhas lindas princesinhas gêmeas adormecidas em meus
braços. Elanor, a Estrela da Alvorada, cujos traços lembravam muito a mim mesmo, assim como a cor dos olhos e cabelos; e Niphredil, a Estrela Branca, de pele clara e olhos brilhantes, uma cópia fiel de Arwen.
Eldarion, por sua vez, estava agitado com tudo aquilo, falando sem parar sobre águias, festas de boas vindas, cartas a Merry e Pippin, histórias, novas brincadeiras e sobre como iria ensinar as irmãs a montar a cavalo.
- Não tão rápido, rapazinho – falei a ele, tentando acalmá-lo. – Ainda terá de esperar alguns anos para fazer tudo isso que está planejando. As meninas ainda são muito pequenas para acompanhá-lo, pequeno cavaleiro – completo, entregando Elanor para Arwen e sentando-o em meu colo junto de Niphredil em seguida.
- E “alguns anos” demoram muito pra passar? – o pequeno indaga, olhando de mim para Arwen, que sorria com aquilo.
- Não muito, pequenino – diz ela, afagando seu rostinho com carinho. – Mas até lá, você pode montar com o papai, e brincar com Boromir e Theoden quando Lorde Faramir e Lady Éowyn vierem nos visitar. E não podemos nos esquecer de Merry e Pippin, que não tardarão a voltar à cidade.
- Tudo bem então – Eldarion responde, contente com a perspectiva de novas aventuras.
- Agora... o que acha de vir comigo e preparar um delicioso café da manhã para a sua mãe? Como os homens da família, precisamos cuidar muito bem das meninas – explico ao pequeno, colocando-me de pé após entregar para Arwen a princesinha que eu ainda tinha no colo.
- Posso pegar doce de amora e biscoitos de hobbit? – ele indaga, animado.
- Claro que pode – respondo, tomando-o nos braços e me dirigindo à porta do quarto. – Mas não esqueça do bolo, do suco e das frutas, tudo bem?
- Afirmativo, papai capitão! – ele responde, saltando dos meus braços e correndo porta afora em direção à cozinha.
Ainda o observei por alguns instantes, sem conter o sorriso que a cena fazia surgir em meu rosto, até que ele desaparecesse de minhas vistas ao virar uma curva. Só então voltei minha atenção para minha esposa, que observava a cena com olhos marejados.
- Arwen, está tudo bem? – indago preocupado, voltando a me sentar ao seu lado.
- Está sim, meu amor. Nem mesmo sonhos poderiam ser melhores do que o que construímos.
- Tem toda razão, minha senhora – respondo, beijando-a suavemente. - Agora deixe-me ir atrás de nosso pequeno herdeiro, ou ele deixará a cozinheira maluca – completo, deixando as meninas descansando enquanto partia em busca de meu cavaleiro sapeca.
2 comentários:
Arwen e Aragon são o ideal de princesa e príncipe para mim! Aliás, rainha e rei, ehehe :D
Eu me apaixonei pelos personagens, e olha que só assisti aos filmes, hein? Dizem que quem leu os livros se encanta ainda mais. :D
Ela é ao mesmo tempo forte e delicada, e ele é corajoso e atencioso, não poderia haver um casal mais perfeito em toda a Terra Média, vamos combinar, né?
Juro que no filme o que eu mais queria era vê-los juntos e felizes, mais mesmo até que a interminável saga de Frodo levando o Um anel por ai, ehehhe. Foi uma confissão, ok! mas é verdade! Arwen e Aragon juntos roubavam a cena!
Mas se teve uma parte que o filme não mostrou e você mostrou é a felicidade plena deles depois! Ehhhhhhhhhhhhhhhhh!
Gente como não imaginar esses dois divando vida a fora, não? Aliás, fico feliz que eles viveram muitos e muitos anos, mas ainda assim encheu meus olhos de lágrimas saber que uma hora ele iria morrer e, ela abrindo mão da imortalidade para ficar com ele, também.
Mas o lado bom é que a Dai falou da parte boa aqui, viva, viva, viva, iupiiiiiiiiiii!!!
Eles casados, aproveitando a vida para estarem juntos e se descobrindo pai do primeiro filho! owwwwwwwwnnn! Ele é apertável, curioso e tão vivo! Aposto que a maior felicidade desses pais era vê-lo correr por ai aprontando todas, devia dar até medo de repreender as vezes, mas sabemos o quanto é necessário, eheheh.
Ok que o jovem príncipe está perdido com certos tios, mas eu achei a coisa mais graciosa do mundo os Hobbits derem uma desculpa tão criativa e de fato as aves aparecerem no dia em que Arwen daria a luz a mais dois filhos do casal, duas meninas gêmeas que pela descrição são lindas como os pais!:D
E, sim Aragon, vá lá meu filho (eu sei que você atende por outro nome agora, mas tal qual sua musa, eu vou te chamar de Aragon mesmo assim, supere essa, ehehhehe), ensine esse menininho tratar muito bem uma dama, a sua futura nora (que infelizmente não serei eu) agradece desde já! :D
Beijinhos!!!
Alice:
Aragorn e Arwen são muito perfeitos, nem consigo explicar o quando amodoro esse casal! <3
Bem, eu li os livros há uns anos atrás, então não recordo de detalhes... Mas pra mim eles são perfeitos e pronto! kkkk
Verdade, eles se completam, se ajudam, se preocupam um com o outro e, em meio a tudo isso, ainda lutam numa guerra! São muito fodásticos, fala sério! kkkkk
Tenho de concordar com você, eles roubavam mesmo a cena nos filmes. hehehe Mas eu também apreciei bastante as batalhas, Legolas distribuindo flechadas aqui e acolá, Aragorn derrubando uns uruk-hais... todas essas coisas, sabe? kkkkk Foram momentos lindos nos três filmes. u.u
Mas voltando ao assunto... Sim, até a parte que me consta, Arwen desistiu da imortalidade pra viver uma vida humana ao lado do homem que ela amava, mas nem por isso foi menos feliz ao lado dele, né?
E esse é o lado bom das fics, você tem a oportunidade de mostrar certos capítulos da vida dos personagens que mais gosta, e assim dar uma continuidade à história deles.
E a emoção do primeiro baby, owwnnnnnn.... Quem viu o filme sabe da visão que Arwen teve, então por que não mostrá-la concretizada, né? Eldarion veio pra alegrar ainda mais as vidas desses dois lindos. Ele é tão, tão apertável que aposto que deve ficar horas escondidos nos estábulos para não ser agarrado pelos pais e pelos criados do castelo. kkkkkk
O que esperar de um príncipe que tem nada mais, nada menos, que Merry e Pippin como tios postiços? Se esses dois já aprontavam horrores sozinhos, pensa o que não podem fazer com um terceiro integrante para a máfia? kkkkkk E viu, só? Cegonhas são para os fracos! Os bebês da Terra Média chegam de águia! kkkkkk
E o que dizer das meninas, hein? Vieram pra completar a felicidades do nosso casal, uma saiu a carinha do pai e a outra, a carinha a mãe! E como Eldarion é uma misturinha perfeita de ambos, nem podem discutir. hehehehe Quanto aos nomes, Elanor e Niphredil são duas flores. A primeira, amarela e em forma de estrela, e a segunda, branca como a neve. Acho até que combinou direitinho, vai? :)
Sim, sim! Aragorn precisa correr atrás do primogênito, ou ele é capaz das mais altas estripulias! hehehehe Infelizmente, também não serei a futura nora, mas aposto que amoça que conquistar o coração do príncipe herdeiro será mais do que sortura! heheheh (afinal, além de uma marido bonito, vai ter um sogro gatíssimo, né? rsrsrsrs)
Bjos!
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