18 de jun. de 2014

One Shot: Tempos de Guerra



Enfim o grande dia chegara. Rebekah já estava acordada antes mesmo de o Sol resolver dar as caras, mas como não queria ser pega por sua mãe zanzando pela casa, a garota preferiu se fingir de “pessoa dormindo” até que pode ouvir passos no corredor.

A loira saltou da cama num misto de ansiedade e nervosismo logo que notou o som do tilintar dos talheres vindo da cozinha. Mesmo que sua fome fosse igual a zero, a garota dirigiu-se rapidamente ao aposento, onde encontrou a mãe, Esther, coordenando o trabalho das empregadas.

- Bom dia minha querida – diz ela, ao notar a filha se aproximando. – Dormiu bem?


- Feito uma pedra – Rebekah responde rapidamente, vendo os olhos da mãe se estreitarem em fendas finas. Certamente sabia que a garota estava blefando. – Certo, eu admito. Mal preguei os olhos – confessa, com um suspiro.

- Tem muita sorte de não estar com duas grandes berinjelas debaixo dos olhos, mocinha! O que o noivo diria se lhe visse com olheiras?

- Que eu estive em uma “despedida de solteira”.

- Rebekah! – Esther a repreende, com uma expressão de extremo choque. – Onde ouviu uma asneira dessas? Aliás, não deixe seu pai saber que esse tipo de ideia passa pela sua cabecinha, ou Mikael lhe deixará de castigo no dia do seu casamento!

- Tudo bem, tudo bem... Não está mais aqui quem comentou – a garota responde, erguendo as mãos como quem pede desculpas. - Mas se homens podem fazer a tal despedida, por que as mulheres não? Sophie diz que seria muito mais justo. Ela me contou que uma antiga amiga da capital já pensou em fazer uma, sabe?



- Sua cunhada é impossível, só isso que tenho a dizer. Espero que Elijah consiga mantê-la na linha.

- Sua nora – diz Rebekah, frisando bem a segunda palavra – é uma moça correta e lhe adora, dona Esther! Não venha bancar a implicante, porque sei muito bem o quanto gosta das esposas dos seus filhos – completa, colocando as mãos na cintura.

- É... não posso negar que amo Sophie, Caroline e Melanie como filhas. Seus irmãos fizeram boas escolhas, assim como você! Stefan é um rapaz maravilhoso.

- Eu sei disso mãe – a garota responde, roubando uma maçã da fruteira sobre a mesa, - é por isso que eu o amo.

************

Há alguns quilômetros dali, Stefan também já estava de pé, andando de um lado para outro na varanda da casa da família. Em parte, estava nervoso pelo casamento que se aproximava, mas não era apenas isso que o estava deixando inquieto naquela manhã.

O ar estava fresco, trazendo o prenúncio do fim do outono e início do inverno, mas ainda assim, não parecia de todo correto. A guerra já se estendia a um bom tempo para o rapaz saber que aquela aparente calmaria não era um bom sinal.

Stefan, assim como muitos outros homens naquela região, fazia parte do chamado “exército farroupilha”, que lutava, entre outras coisas, pela redução de taxas impostas pelo império para certos produtos produzidos no sul do país. Claro que, com o tempo, as coisas tomaram novos rumos e o caráter separatista foi agregado à revolução.

Como capitão, o rapaz já ganhara algumas batalhas junto de seu pelotão, mas também amargou derrotas para o exército imperialista e perdas dolorosas. A morte de Damon, seu irmão mais velho, numa das tentativas de retomar Porto Alegre, foi um duro golpe para Stefan. Se não fosse pela paz, segurança e amor que encontrava em Rebekah, acreditava que já teria sucumbido em alguma “peleia” contra os chimangos, como eram chamados os imperialistas. Era pela noiva que ele buscava sempre retornar pra casa.

- Você parece preocupado, meu irmão. Algum problema? – era Melanie, a irmã mais nova do rapaz, que chegara na varanda trazendo uma xícara de café fumegante nas mãos.

- Deve ser apenas paranóia de um soldado – ele responde, pegando a xícara que a garota lhe estendia. – Acho que não estou mais acostumado à tranquilidade da estância, só isso.

- E não teria nada a ver com o casamento, teria?

- Bem... isso também, é claro. Mas estou muito certo do que estou fazendo, não é?  - diz Stefan, agora com um sorriso. Falar de Rebekah sempre lhe fazia sorrir, mesmo quando estava em meio a alguma batalha. Lembrar do rosto delicado da noiva o mantinha são, essa era a verdade. – Agora diga-me: o que ainda faz na estância? Pensei que fosse voltar com seu marido para ajudar a Bekah.

- Sophie e Caroline estão lá, poderão ajudar sua noiva e deixá-la ainda mais bonita do que já é. Você, ao contrário, não teria ninguém, então fiquei por aqui para cuidar do meu irmãozinho. Kol achou uma boa ideia – continua ela, aproximando-se mais e enlaçando o braço do rapaz ao seu, - e disse que estará de volta antes mesmo do almoço, “para garantir que seu irmão não vai fugir”. Isso nas palavras dele, claro.

- Seu marido nem parece um médico do exército farroupilha, sabe? É um tanto... como poderei dizer sem soar rude? Ele é um tanto insano em certas ocasiões... Afinal, por que diabos eu fugiria de meu próprio casamento? – ele responde aos risos, fazendo a irmã rir também.

- Não faço a mínima ideia. Mas lembre-me de questioná-lo quando ele voltar, quero saber se Kol arquitetou algum plano de fuga quando nós nos casamos!

- Para o bem dele, espero que a resposta seja não.

- Eu também – sussurra Melanie, em tom conspiratório. – Mas se for sim, precisarei de dicas de como torturá-lo – completa, pegando a xícara agora vazia das mãos do irmão e voltando para dentro da casa.

Stefan ainda permaneceu na varanda mais alguns minutos, deixando a mente vagar pela paisagem tão conhecida ao redor da casa onde passara a infância. Conhecia cada canto de mato e cada buraco onde alguém pudesse se esconder naquele lugar. Ele, Damon e Melanie haviam corrido muito e desbravado cada pedacinho da estância dos Salvatore quando eram pequenos, e o rapaz poderia jurar que, se uma folha estivesse fora do lugar por ali, ele seria capaz de identificar.

E naquele instante, ele tinha quase cem por cento de certeza de que algo à beira da mata que ladeava o rancho mais distante não estava como deveria. Mas devido a sua agitação por conta do casamento, Stefan resolveu deixar pra lá e voltou para dentro. Infelizmente para ele, aquela fora uma decisão não muito acertada...

**********

O horário do almoço já se aproximava e não havia o menor sinal da aproximação de Kol, o cunhado de Stefan. De onde estava, o rapaz podia ver a agitação crescente da irmã, que caminhava de um lado a outro no espaço entre a sala de estar e a varanda. O mínimo ruído de cascos batendo no chão era suficiente para fazê-la correr porta afora na esperança de encontrar o marido, mas os sons vinham apenas dos cercados próximos ao rancho, onde algumas crianças, filhos dos empregados da estância, estavam aprendendo a montar num potrinho cor de canela.

Melanie lançou um olhar preocupado ao irmão, ao qual ele tentou sorrir para tranquilizá-la, mesmo que ele próprio já estivesse começando a estranhar a demora. Afinal, o cunhado não costumava se atrasar, a menos que algo grave houvesse acontecido.

E com esse pensamento, um arrepio involuntário percorreu o corpo de Stefan. E se algo ruim tivesse mesmo acontecido? E se fosse alguma coisa com sua amada Rebekah, como poderia suportar?

Como num pesadelo, o rapaz teve suas suspeitas confirmadas quando ouviu alguém gritando por ele do lado de fora. Isso foi suficiente para que ele e Mel largassem o que estavam fazendo e corressem até a varanda em tempo de ver Caroline, a esposa de Klaus e cunhada de Rebekah, subindo os degraus com certa dificuldade, o sangue escorrendo preguiçosamente pelo rosto.

- Care! - Melanie grita, correndo para ampará-la. - O que houve com você? Onde está o Kol?

- Na estância… Os imperialistas… - a moça tenta explicar enquanto retomava  fôlego. - Mikael, os meninos e mais alguns empregados estão tentando mantê-los longe da casa principal. Sophie me mandou pra cá para pedir auxílio… Ela, Esther e Bekah estão ajudando os homens da casa. Precisam de você, Stefan! - completa voltando-se para o rapaz, que a encarava com o rosto tomado pelo pânico.

- Caroline… Você tem alguma noção de quantos soldados estão por lá?

- Des… Desculpe, mas não. Tão logo percebemos o que estava acontecendo, Soph me levou para o estábulo e me fez montar no primeiro cavalo que saltou aos olhos!

- Tudo bem, tudo bem… Fizeram bem, mesmo que cavalgar não seja muito aconselhável no seu estado - Stefan responde, tentando acalmá-la. - E esse corte na testa, como conseguiu?

- Devo ter batido em algum galho, só isso.

- Certo… Bom, você fica aqui com a Mel, combinado? Vou reunir alguns peões e vamos até a estância dos Mikaelson, e levarei comigo quem mais encontrar no caminho. Daremos um jeito nisso!

- Eu vou com você - diz Melanie, colocando-se de pé.

- Não acho uma boa…

- É o meu marido que está lá, Stefan! - ela o interrompe, exaltada. - Não vou ficar aqui esperando por notícias que podem nem mesmo chegar!

- Melanie, pare pra pensar! Acha que Kol ia querer que se arriscasse por ele? Ele morreria se algo acontecesse a você, e eu também não posso aceitar perder mais ninguém - o rapaz responde, segurando-a com firmeza pelos ombros. - Somos só você, eu e papai, e este último nem na cidade está.

- Mas Stef…

- Por favor, irmã. Preciso que fique com a Caroline, não podemos fazê-la se esforçar ainda mais. Afinal, não queremos nosso sobrinho nascendo antes do tempo, não é? - completa ele com um sorriso fraco, indicando a barriguinha já visível da esposa de Klaus.

- Tem razão - diz Melanie por fim, dando-se por vencida após um suspiro. - Mas tente trazê-lo de volta para mim, está bem?

- Eu prometo - Stefan sussurra, beijando a testa da irmã. - Cuidem-se, está bem? - completa, correndo até o quarto para apanhar suas coisas.

O rapaz levou menos de um minuto para chegar ao lado de fora da casa, na parte dos fundos, para  reunir seu pessoal. Após ordenar que um dos empregados fosse em busca do Coronel Neto para pedir que ele e suas tropas fossem ao encontro deles, Stefan e o restante dos homens partiram em direção a mais uma batalha.

***********

Naquele momento, em meio a todo aquele caos, Rebekah não sabia direito em que pensar. Os olhos claros da garota já estavam tomados pelas lágrimas, e a preocupação com o futuro lhe assombrava dolorosamente. Por que aquilo tinha de acontecer justo no dia de seu casamento, que deveria ser lembrado como um dos mais felizes de sua vida? Por que aquela maldita guerra tinha de interferir na vida de tanta gente?

Um chamado de Esther tirou a garota de seus devaneios, e logo Rebekah estava correndo de volta à “segurança” da casa, que já não era mais tão segura, pois, vez ou outra, podia-se ouvir o ricochetear de um disparo contras as paredes. Seu pai, irmãos e empregados continuavam lá fora, esforçando-se para conter o avanço dos militares.

Após um tempo que pareceu levar uma eternidade, o som de cascos batendo no chão se sobrepôs aos ruídos de disparos, e ao longe, ela pode ver o noivo a todo galope, acompanhado por mais alguns peões. Mesmo com a distância, ela tinha certeza de que no semblante de Stefan a raiva fria e calculada se misturava à preocupação. E mesmo que não agradasse em nada à Rebekah vê-lo em meio a uma batalha, seu coração se aquietou ao menos um pouquinho por tê-lo ali, cuidando dela e de sua família.

Esse era, aliás, um dos vários motivos pelos quais ela amava Stefan. Ele era capaz de colocar a segurança e felicidade dos outros à frente da dele próprio. Ele se arriscava para garantir que aqueles que ele amava ficaria seguros. Era a essência dele, e não havia como não amá-lo por isso.

Por uma fração de segundos, o rapaz voltou sua atenção para a casa, e a garota pode encontrar seu olhar, que parecia transbordar de carinho e alívio por vê-la segura. Rebekah não teve como não sorrir em resposta, e antes que tudo escurecesse, ela ainda pode vê-lo sorrindo também…

************

Apenas alguns segundos. Era disso que Stefan precisava para se focar inteiramente no que estava por vir. Ele só precisava ter certeza de que a mulher que ele amava estava bem, apenas isso. Só precisava vê-la sorrir, nada mais.

Levou menos de um segundo para localizar Rebekah à porta da cozinha, os longos cabelos loiros destacando-se contra a madeira escura da porta. Vê-la ali fez o mundo parecer mais colorido e mais leve, mesmo que a situação ao redor fosse caótica. O calor do sorriso dela encheu o coração de Stefan de determinação, e quando ele finalmente se voltou para a batalha à sua frente, o mundo explodiu em vermelho e começou a escurecer numa velocidade desconcertante.

***********

“Stefan!” foi tudo que Rebekah conseguiu dizer ao ver o noivo caindo do cavalo. Sem pensar em mais nada, disparou porta afora na tentativa de alcançá-lo, mas foi traída pelos próprios sentidos, que a fizeram desabar no instante seguinte.

Quando finalmente retomou o controle do próprio corpo, a garota se viu num lugar familiar e confortável: seu quarto. O ar parecia pesado e tudo à sua volta estava estranhamente silencioso. “Silencioso até demais” pensa ela, fazendo esforço para se sentar na cama. Não havia ninguém ali além dela, e as sombras que se projetavam na parede denunciavam que a tarde já estava quase no fim.

Havia acabado de se colocar de pé quando a porta se abriu e sua mãe espiou pela frestinha da porta.

- Já de pé, minha querida? Sente-se bem? - Esther questiona, aproximando-se da filha.

- O que houve? Onde está o Stefan?

- Seu noivo foi atingido, Rebekah - ela responde, fazendo a filha voltar a sentar. - E quando caiu do cavalo, o bicho se assustou e acabou pisoteando-a. Fraturou a perna e algumas costelas, pelo que Kol pode diagnosticar…

- Onde ele está? - a garota questiona, com a voz embargada. - Preciso vê-lo.

- Querida, ele…

- É o homem que eu amo, mãe! - a loira interrompe, voltando a se colocar de pé. - Nada do que disser vai me impedir de ir até ele.

Derrotada, Esther levantou-se também e tomou uma das mãos da filha nas suas, puxando-a consigo até o quarto de hóspedes. Assim que a porta foi aberta, as lágrimas voltaram aos olhos de Rebekah, escorrendo preguiçosamente por seu rosto em seguida.

Stefan estava ali, deitado sobre a cama, um lado do rosto com uma estranha tonalidade arroxeada, fruto de sua queda do cavalo. O peito e as costas estavam envoltos por bandagens, muito provavelmente para imobilizar as costelas quebradas; a perna direita também havia sido enfaixada e havia uma grande atatura manchada de sangue no ombro esquerdo. Para completar a cena, seu rosto trazia uma expressão de dor e seus cabelos e testa estavam úmidos de suor.

Rebekah aproximou-se devagar e sentou-se na beira da cama, acariciando o rosto do noivo com cuidado para não lhe infligir mais dor. Estava tentando conter os soluços quando os olhos dele se abriram minimamente e a sombra de um sorriso apareceu nos lábios do rapaz.

-Stefan… - ela murmura, aproximando-se mais um pouco e unindo seus lábios aos dele por alguns segundos.

- Bekah… - ele responde com esforço, acariciando as mãos dela que ainda estavam em seu rosto. - Você está… bem? Eles não… não lhe machucaram… não é? - completa com dificuldade, fazendo uma careta ao final.

- Não se preocupe comigo amor, é você quem inspira cuidados. Está sentindo muita dor? - Rebekah questiona, visivelmente preocupada.

- Bem… já estive melhor, admito.

- Rebekah - chama Kol, parando à porta do quarto, - deveria deixá-lo descansar. Stefan precisa se recuperar, está bem estragadinho…

- Tudo bem… - a loira responde baixinho, dando um beijo no rosto do noivo e se retirando do quarto em seguida. Quando alcançou a sala de estar ao lado do irmão, despejou sobre ele a dúvida que vinha a corroendo desde que acordara. - Ele vai ficar bem, não vai? Stefan não vai me deixar, não é? Você é médico Kol, tem a obrigação de me dizer a verdade!

- Também sou seu irmão e não quero vê-la sofrer, Bekah.

- Mas e Melanie? Mentiria para ela? Mentiria para sua própria esposa sobre o único irmão que ela ainda tem? - a garota o desafia, elevando o tom de voz.

- Ele vai ficar bem, irmã. Apenas de tempo ao tempo, está bem? - diz ele, visivelmente abatido. - Vai ser um processo doloroso, mas Stefan vai sair dessa, eu prometo!

- Nós deveríamos estar casados agora… - ela murmura, largando-se sobre o sofá. - Deveríamos estar festejando, sorrindo e dançando, e não chorando e limpando os ferimentos uns dos outros.

- Eu sei, Bekah. E sinto muito que isso tudo tenha acontecido, afinal, minha irmãzinha caçula merecia um casamento de princesa, não é?

E com um sorriso em resposta, a garota apenas o abraçou, torcendo para que tudo que Kol tinha lhe dito não fosse apenas para lhe poupar do sofrimento.

***************

Algumas semanas depois…

- … E pelo poder concedido a mim, eu os declaro casados - diz o reverendo, com um sorriso. - Já pode beijar a noiva, Capitão Salvatore.

E foi isso que Stefan fez. Tomou Rebekah em seus braços e selou definitivamente o início da vida deles juntos. O rapaz ainda não estava totalmente recuperado - andava com o apoio de uma bengala e o local onde levara o tiro ainda estava sensível, - mas ele não via motivos para esperar. Afinal, o casamento já fora adiado uma vez, e não era a intenção dele prolongar ainda mais a experiência.

Rebekah também quase não cabia em si, tamanha a sua felicidade. Tivera de ajudar o agora marido a suportar toda a dor da recuperação, e o fruto de sua dedicação estava de pé a sua frente, sorrindo para ela. As dificuldades que tiveram de transpor juntos nos últimos dias tinha os aproximado ainda mais e solidificado o sentimento que os unia. O amor deles era forte o bastante para superar o que quer que fosse.

- Amo você, Stefan - a loira sussurra, dando um selinho nos lábios dele.

- E eu amo você, minha vida - o rapaz responde, acariciando delicadamente o rosto de esposa. - Agora e para todo sempre.




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