23 de jun. de 2014

One Shot: O Retorno da Caçula


A senhora Hudson estava andando com o espanador pela casa. John aguardava o retorno de Sherlock, tentando a todo custo não olhar o como a senhoria dançava e rebolava com o espanador na mão.

O detetive consultor apenas o havia pedido para esperar por seu retorno, sem esclarecer os por menores. Para John, era como se ele voltasse no tempo, para como era quando ele morava ali e o amigo sumia do nada e o deixava esperando.

Mary era o anjo de sua vida... Ok, ela tinha uma arma e um passado nebuloso, mas tudo isso havia ficado para trás totalmente após aquele pequeno incidente na casa dos pais de Sherlock e Mycroft. Ver Mary desmaiada o fez tremer. Aquela visão o havia dado todas as respostas que ele precisava, ele tinha certeza de que não viveria mais sem ela.
    
A campainha soou no térreo e a senhora Hudson passou por John como um furacão, sem se importar se estava derrubando algo ou não. Claro que ele não iria reclamar afinal a casa era dela mesmo, mas achou a atitude um pouco exagerada demais.

O médico havia decidido deixar para lá a senhoria quando uma moça chegou à porta. Ela tinha altura mediana (embora para John fosse visualmente mais baixa que Mary e pudesse quase ser chamada de baixinha), olhos castanhos e cabelos no mesmo tom, ornamentados com lindos cachos que caiam displicentes por seus ombros.

Ele poderia descrevê-la como uma garota bonita aos narrar os casos do amigo, mas isso era antes de Mary fazer parte de sua vida; já que se o fizesse agora o sofá seria seu destino certo.

A garota pareceu preocupada ao olhar para ele, mas antes que John pudesse esclarecer que ele não era Sherlock Holmes e que não poderia ajudá-la, ela tomou a palavra enquanto caminhava para dentro com uma cara preocupada.

- Você não é Sherlock – e ela dizia aquilo sem nenhum sinal de dúvida na voz.

- Bem, não sou – John concordou. – Mas meu amigo estará em casa logo, se puder esperá-lo.

- Amigo? – ela falou boquiaberta. – Amigo de que tipo?

- Bons amigos. Dividíamos o apartamento até pouco tempo atrás – ele respondeu placidamente aquela pergunta estranha, sem se alterar. Afinal, John sabia bem o tipo de clientes neuróticos que costumavam adentrar naquela sala.

Mas, ao ouvir aquelas palavras, a moça deixou John com a mão estendida para um cumprimento no vácuo. Ela não pode se segurar e caiu sentada no sofá. Mas John não compreendia porque exatamente, já que não havia dito nada demais a seu ver.

- Se sente bem, senhora? – John tentou ser todo polido com ela, mas a garota o encarou chocada.

- Mas só de apartamento ou de quarto também? Tipo, oh Deus, uma amizade colorida ou preta e branco, mesmo?

John ficou vermelho no ato, não sabia dizer se era de revolta ou vergonha. Quem aquela garota achava que era para insinuar que Sherlock e ele tinham algo? Quando o mundo todo começou a insinuar que eles eram gays só porque dividiam um apartamento? Aliás, em que mundo eles estavam vivendo que ninguém poderia dividir um apartamento com ninguém sem ter que dividir a cama também?

- Escute aqui! Sherlock e eu não somos... – John começou no ápice de sua fúria, mas foi cortado pela voz da senhora Hudson que aparecia a porta naquele instante com uma bandeja de chá.

- Eu trouxe chá para vocês, enquanto esperam por Sherlock... Afinal, bem, só com muito chá para esperá-lo mesmo, não? – ela resmungou consigo, enquanto enchia as xícaras.

- Agradecemos por isso, senhora Hudson, mas... – John tentou falar mais uma vez, mas a senhora começou a beber o chá na xícara que deveria dar a ele.

- Afinal quando ele decide sair por aí – ela resmungava sozinha, – nunca se sabe se é para se drogar ou por um caso e... Oh, John, você deveria procurá-lo, não acha?

- Senhora Hudson! – John tentou repreendê-la, afinal aquela senhora estava ficando caduca, onde já se viu falar que Sherlock tinha problema com drogas para uma possível cliente? – Não acha que deveria ir ao seu apartamento, não? – ele tentou disfarçar.

- Não – ela respondeu ao dar de ombros. – Posso muito bem colocar a minha conversa com Alice em dia, não acha querida?

- Alice? – ele questiona confuso, quase certo de que, dessa vez, Martha havia enlouquecido de vez. – Que Alice?

- Ora John, que pergunta boba! Essa Alice – a senhoria responde, sentando-se ao lado da moça recém chegada.

- O senhor tem certeza de que é amigo do Sherlock? Desculpe dizer, mas... você me parece um tipo um tanto devagar. Como Sherlly teria paciência para...

- Devagar? O que quer dizer com isso? – John a interrompe, seu rosto tornando a assumir o tom escarlate de minutos antes. – Aliás, nem perca seu tempo explicando, senhorita – ele continua, colocando-se de pé. – Senhora Hudson, poderia fazer o favor de avisar o senhor Holmes de que não pude esperá-lo, por favor? Preciso ir.

- John, não é? – Alice indaga, fazendo-o parar à porta. – Hmm... Recém casado, uma filha pequenaa esposa nos primeiros meses de gestação, e... esteve no exército? Bom, isso não vem ao caso. Só quero que entenda que com “devagar” – e nesse momento, ela fez aspas no ar –, quis apenas dizer que seu poder de dedução não é tão apurado quanto o do Sr. Holmes. Se fosse, me trataria por senhora, e não senhorita – completa ela, erguendo a mão para mostrar a aliança dourada em seu dedo.

- Oh, Alice – a Sra. Hudson também se põe de pé, envolvendo a moça num abraço carinhoso –, meus parabéns querida! Quem é o sortudo? Sherlock já sabe? E Mycroft? Seus pais devem estar radiantes!

- Esperem senhoras – o médico volta a interromper, completamente perdido em meio ao falatório das duas. – Quem é você afinal, Alice? – ele indaga, ansioso. – Como conhece Sherlock e até mesmo Mycroft?

- Crescemos na mesma casa, impossível não conhecê-los – a garota responde simplesmente. – Aliás, sempre achei os jogos de dedução que Mike inventou bem chatinhos, mas era a única coisa da qual ele sabia brincar conosco... – completa, com uma leve nota de nostalgia na voz.

- Vocês são irmãos? – e agora John estava mesmo boquiaberto, tanto que se viu obrigado a sentar mais uma vez. – Como isso é possível?

- Ora essa John, Mary está grávida! Achei que soubesse como se fazem os bebês – a Senhora. Hudson responde, passando a ele uma xícara de chá desta vez.

- É claro que eu sei como os bebês são feitos – ele se apressa a dizer, tomando um grande gole de seu chá, que já estava quase frio. – Mas por que nunca soube dela? Sherlock nunca mencionou que tinha uma irmã, e ele foi meu padrinho de casamento! Além do mais, não me lembro de ninguém ter falado sobre você durante a ceia de Natal, e não havia nem mesmo uma foto sua na casa dos seus pais, pelo que eu me lembre.

- Bom, deve ser porque minha mãe não tem fotos nossas, a não ser de quando éramos muito pequenos e não tínhamos escolha – Alice alega. – Mycroft sempre disse que fotografias são provas físicas contra nós, então fugimos de câmeras como vampiros fogem de crucifixos! – completa, aos risos.

- Mas no meu casamento... – John começa, sentindo-se mais uma vez confuso. – Sherlock esteve ao meu lado durante boa parte do tempo. Ele aparece em praticamente todas as fotografias de meu álbum! E, em nenhum momento ele reclamou dos flashes...

- Então meu irmão realmente se importa com você – a garota responde, afagando as mãos dele por alguns segundos, num gesto de apoio. – Ele jamais enfrentaria sua fobia das câmeras por alguém que não significasse muito para ele. Devem ser muito bons amigos.

- Ah, eu sempre soube que Sherlock e John se amam muito – diz a senhora Hudson com um suspiro, fazendo com que o rosto do médico ficasse enrubescido mais uma vez e Alice se engasgasse com um gole de chá.

- Somos apenas bons amigos, senhora Hudson, por favor! Por que todos acham que somos gays?

- Na verdade, sempre tive a leve suspeita de que Sherlock pudesse ser... – diz Alice, após se recompor. – Mas fico feliz em saber que estava errada! Não que eu tenha algo contra – ela se apressa a acrescentar. – Mas, cá entre nós, sempre achei Sherlly bonito demais para namorar outro garoto. Seria um total desperdício, sabe? – completa, com um sorriso.

- Não entendo o porquê de vocês pensarem isso – John responde, com um suspiro. – Sei que ele ficou realmente impressionado com Irene Adler, e que Mary me perdoe, ela é realmente uma mulher muito bonita – John continua num tom de voz mais baixo, como que temendo que a esposa pudesse ouvi-lo. – Ah, e Sherlock também ficou noivo da Janine, que foi madrinha do meu casamento. Infelizmente, as coisas não deram muito certo entre eles depois de ambos serem alvejados, mas isso não vem ao caso agora... – diz ele, tentando espantar certos detalhes que aquela lembrança lhe trazia. – Mas ainda temos Molly, e ela é realmente uma moça encantadora. Só seu irmão não percebe que ela nutre fortes sentimentos por ele.

- Sentimentos não são o ponto forte dos meus irmãos, senhor... – e ela deixa a frase no ar, já que não sabia o sobrenhome de John.

_ Watson, John Watosn – ele se apressa em dizer e Alice sorri antes de prosseguir.

- Sim, sr. Watson. Meus irmãos, ambos, acham que amar alguém pode enfraquecê-los de alguma maneira. Bobagem, na minha opinião... Acho que o amor tem o poder de nos fortalecer, muito mais do que outra coisa. Se importar com alguém o faz mais forte, mesmo nos momentos mais difíceis.

- Oh Alice, querida – diz a Senhora Hudson, com a voz levemente embargada e os olhos marejados. – Isso foi tão lindo, triste e verdadeiro ao mesmo tempo.

- Mas veja pelo lado bom Senhora Hudson, Sherlock ao menos deixou que as pessoas se aproximassem dele. Já Mycroft... Aliás, John, você saberia me dizer se Mycroft tem algum interesse amoroso? Uma namorada ou... não sei, um namorado?

- O que? Não, não sei de nada, não somos próximos – ele se apressa a responder, cuspindo um pouco de chá. – Aliás, por que acha que seus irmãos são gays? É algum tipo de trauma de infância?

- Ah... Nem sei explicar ao certo. Mas Mike sempre teve um jeitinho diferente, mesmo com toda aquela pose de “sou superior a você, mocinha!” com que ele sempre me encarou.

- Bom, ele ainda mantém essa postura... – declara John, pensativo. – Mas sei de uma moça que trabalha com ele, Anthea, se não me engano.

- Acha que pode ser a namorada dele? – a garota questiona, esperançosa.

- Não sei, mas é a minha única sugestão. Quando cogitei a possibilidade de sairmos para jantar, antes de eu conhecer a Mary, ela me deixou no vácuo. Então, suponho, que ela seja comprometida, não? – ele responde, tentando parecer mais convicto. – E, bem, ela não é de falar muito, vive mexendo no celular, trocando mensagens com alguém.

- Acha que pode ser com meu irmão? Oh, que fofo, Mycroft está amolecendo! – diz Alice animada, batendo palmas como uma criança que recebe um brinquedo novo. – Aliás – ela emenda, parecendo um pouco mais séria -, Senhora Hudson, onde fica o toalhete? O chá precisa encerrar seu ciclo, sabe?

- Primeira porta à esquerda, minha querida – diz a senhoria, com um sorriso.

Mal Alice havia passado a tranca na porta, ouviu-se o “clique” característico de outra porta se abrindo, revelando a chegada de Sherlock ao apartamento. Logo atrás dele, com o nariz levemente empinado, como se cheirasse o ar à sua volta, vinha Mycroft.

- Não me faltava mais nada – ele exclama, sem se dar ao trabalho de cumprimentar os presentes na sala de estar. – Sabia que ela viria? – ele questiona, voltando-se para o irmão, que apenas acenou em negação com a cabeça. – Alice – completa seriamente após um longo minuto, encarando a garota que acabara de voltar à sala de estar.

- Mycroft. Sherlock... Que bom vê-los outra vez.




4 comentários:

Luiza disse...

John todo fofinho fazendo declaração para a Mary e vocês me inventam de fazer alusão a johnlock QUE ABSURDO só isso que digo...

Mas, sabem, eu vi umas teorias de que o John poderia ser bissexual... Eu, sinceramente, prefiro que não, John e Sherlock é uma amizade muito bonitinha pra estragar assim...

Inclusive, todos os personagens dessa fic são vistos uns pelo o outro como homoafetivo, nunca vi igual!

Sherlock um poste, Alice um hobbit... Certeza que ela não é parente do John? kkkkkk Tudo que a Alice não tem em altura ficou pro Sherlock hein

Adorei a one meninas, super divertida e engraçadinha!

Quinta vez que escrevo esse comentário, perdi todo o resto... Culpa do celular. Sério, se poupem o trabalho de comentar pelo celular, é um lixo! Mas é que meu notebook está em um local que, no momento, é de difícil acesso... Desculpa então pelo comentário curto e bobo :(

Beijos!

Unknown disse...

Alice sendo irmã do Sherlock? Fiquei tão surpresa quanto o John. Assim que ela apareceu a primeira coisa que eu pensei foi que ela era uma cliente... Se bem que imaginar o Sherlock e o Mycroft crescendo com uma irmãzinha como a Alice é de certa forma divertido.

John, John sempre tão... qual palavra eu posso usar?... Desconfortável, quando alguém questiona sua sexualidade.

Eu não tenho um shipper definido em Sherlock, então tenho mente aberta para todos, e gosto um pouco de todos. Mas, adorei a declaração do John para a Mary no começo da one. E até as insinuações Johnlock ficaram fofinhas. Apesar de eu ver os dois mais como bromance, não sei, não acho que seja muito provável de acontecer...

Gostei da fic, bem criativa, e diferente com a Alice no cenário!

Ana Alice Holdford disse...

Luiza:

John é aquela pessoinha que eu pegaria no colo e mimaria por horas. Sabe que da dupla ele é o que eu mais me simpatizo. Ele é simplesmente o meu fofinho! Nos livros eu quero socar o Sherlock quando ele o trata de forma inadequada... Ok, o coitado é um pouco lerdinho, mas ele compensa em todos seus atos e na sua dedicação, né?

Eu A-MO a Mary, essa mulher é tudo. Que Irene Adler que nada, quem sambou na sua própria história e em todas as adaptações já feitas até hoje foi essa mulher! A Amanda é exatamente a imagem da Mary que eu tive quando li e matarei mentalmente o Mark se ele matá-la no decorrer da série...

Bem, vamos dizer que uma fic provocativa não é provocativa se não tocar na ferida e nós aprendemos isso com Damon, certo? ehehehhe

Acho que entre eles é só amizade mesmo e um amor de irmãos, companheiros. Eu não vejo nenhum deles como homossexuais, mas a graça estava em tocara ferida, não se zangue.

Sherlock é um ciumento, tanto que quis ser um elfo e roubou a altura da hobbit na fila no céu, ehehhehe.

Sabe que eu demorei horrores porque (é a terceira vez que respondo) e também estou via celular e é terrível...

Bem, e pra finalizar é claro que espero que você dê um comentariozinho na fic mais legal do ciclo e, claro, você sabe qual é, ehehehe.

beijinhos!

Ana Alice Holdford disse...

Luana:

Você aqui!!! Que máaaaaaaaaaaaaaximo!!!

Huahuahau, há uma teoria entre o poo que curte Sherlock Holmes sobre os nomes de mulheres citados, Violet vem em primeiro e acreditam que seja a mãe dele, Alice aparece em segundo (em 3 casos) e o pessoal acredita que ela seja a irmã deles, nós só nos aproveitamos dessa brecha, ehehehe.

Acho que não poderiam haver irmãos mais opostos, não? Um elfo e uma hobbit.

Imagino o quanto ela deve ter atormentado esses dois irmãos, hein? Ela estragaria Sherlock se Mycroft não estivesse por perto com sua pose séria, aposto, ehehehehhe.

John está sempre p da vida com essa história, pecado! ehehhehe

Eu amo o John com a Mary, acho que eles formam um casal tão apertável, é o casal que eu mais shippo nas histórias, sabe? Também concordo que Johnlock é só amizade entre irmãos nascidos em famílias diferentes :D

Obrigada pelo comentário Lu!! :D

E, bem, nós fizemos mais 3 one shots que são quase que uma continuação, se quiser lê-las é super bem vinda, viu?

Beijinhos

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